A exposição ao sol faz parte da rotina das crianças, seja em momentos de lazer, atividades escolares ou brincadeiras ao ar livre. No entanto, a proteção adequada contra os raios solares ainda gera dúvidas entre pais e responsáveis, especialmente em relação à idade correta para o uso do protetor solar, à quantidade ideal do produto e à forma correta de aplicação. O cuidado com a pele infantil vai além do conforto imediato e está diretamente relacionado à prevenção de doenças futuras.
A pele das crianças é naturalmente mais sensível do que a dos adultos, o que a torna mais vulnerável aos efeitos nocivos da radiação ultravioleta. Queimaduras solares na infância não apenas causam dor e desconforto, como também aumentam o risco de problemas dermatológicos ao longo da vida. Por isso, a atenção aos cuidados desde os primeiros meses é fundamental.
De acordo com a professora doutora Elisabeth Fernandes, pediatra da Sociedade Brasileira de Pediatria, a proteção solar deve começar de forma indireta nos primeiros meses de vida. Segundo a especialista, crianças com menos de seis meses não devem ser expostas diretamente ao sol. Nesse período, a pele é extremamente sensível, com maior risco de lesões cutâneas, além de haver associação entre exposição precoce e aumento do risco de câncer de pele na fase adulta.
Até completar seis meses, a orientação é evitar a exposição direta ao sol e adotar medidas físicas de proteção. Bonés, chapéus, roupas leves de manga longa e camisetas com proteção UV são aliados importantes. Sempre que possível, o bebê deve permanecer em locais sombreados, especialmente durante os horários de maior intensidade solar.
Apesar da importância do sol para a produção de vitamina D, a pediatra esclarece que, nessa fase inicial da vida, a recomendação é a suplementação da vitamina. Conforme explica, a suplementação deve ser feita do sétimo dia de vida até os dois anos de idade, independentemente da região do país onde a criança vive, garantindo níveis adequados sem a necessidade de exposição solar direta.
Após os seis meses de idade, a criança já pode ter contato com o sol, desde que devidamente protegida. A orientação é utilizar protetor solar com proteção contra raios UVA e UVB, com fator de proteção solar (FPS) mínimo de 30. A escolha deve sempre recair sobre produtos desenvolvidos especificamente para o público infantil, que apresentam formulações mais seguras para a pele sensível das crianças.
A pediatra reforça que o horário da exposição também faz diferença. Tanto para crianças quanto para adultos, os períodos mais indicados são antes das 10 horas da manhã e após as 16 horas. Fora desses intervalos, a radiação solar é mais intensa e os riscos de queimaduras aumentam consideravelmente, mesmo com o uso de protetor.
Para crianças de até cinco anos, o uso de protetores solares infantis é ainda mais recomendado. Esses produtos, segundo a especialista, costumam conter menos substâncias químicas potencialmente agressivas, menor quantidade de perfume e uma textura mais espessa, o que facilita a aplicação e garante maior cobertura. O aspecto mais esbranquiçado também ajuda os pais a visualizarem as áreas já protegidas.
A reaplicação do protetor solar é outro ponto que merece atenção. O produto deve ser reaplicado a cada duas horas enquanto a criança estiver exposta ao sol. Esse intervalo deve ser respeitado com ainda mais rigor em situações de suor excessivo ou após contato com água, como em piscinas ou no mar, mesmo quando o protetor indica resistência à água.
Um erro comum observado por profissionais de saúde é a aplicação de uma quantidade insuficiente de protetor solar. De acordo com a pediatra, muitos pais utilizam menos produto do que o necessário, o que compromete a eficácia da proteção. Para facilitar, ela recomenda uma regra prática: utilizar duas colheres de chá de protetor para cada região do corpo da criança.
Seguindo essa orientação, devem ser aplicadas duas colheres de chá para cada braço, cada perna, cada coxa, a parte frontal do tronco e a parte posterior do tronco. Essa distribuição ajuda a garantir que todas as áreas expostas recebam proteção adequada contra os raios solares.
Outra dúvida frequente diz respeito à ordem de aplicação do protetor solar e do repelente contra insetos. A recomendação da especialista é clara: o protetor solar deve ser aplicado primeiro, de 30 a 40 minutos antes do repelente. Essa sequência garante que o protetor seja absorvido corretamente pela pele, mantendo sua eficácia.
Por fim, a pediatra destaca que o uso do protetor solar não deve se restringir apenas aos dias de lazer ou praia. O ideal é que as crianças utilizem protetor diariamente nas áreas expostas do corpo, mesmo em atividades cotidianas. Para facilitar a adesão, ela sugere que os pais deem o exemplo, incorporando o uso do protetor solar à própria rotina.
A proteção solar adequada na infância é um investimento na saúde futura. Com informação, atenção aos detalhes e hábitos consistentes, é possível permitir que as crianças aproveitem o sol de forma segura, reduzindo riscos imediatos e prevenindo problemas que podem surgir muitos anos depois.

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