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Promessas de altos salários atrai brasileiros à guerra na Ucrânia

Nos últimos anos, brasileiros têm sido atraídos para o conflito na Ucrânia por promessas que nem sempre são cumpridas

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O que leva jovens a trocarem a carreira no Brasil e até a convivência com a família para enfrentar uma guerra a milhares de quilômetros de casa? Nos últimos anos, brasileiros têm sido atraídos para o conflito na Ucrânia por promessas que nem sempre são cumpridas.

Quatro ex-combatentes baianos que chegaram a pegar em armas contra o exército russo, contara, histórias marcadas por arrependimento, perdas e traumas.

Um deles, João Victor de Jesus Teixeira, que usava o codinome “Arcanjo”, gravou vídeos convocando outros brasileiros para lutar. Hoje, ele diz que se arrepende. “Eu me arrependo muito de ter ido e de ter chamado pessoas. Vi muitos amigos morrerem. Ali percebi que a guerra não era para mim”, afirmou.

O produtor musical Marcos também embarcou atraído pela promessa de dinheiro fácil — que, segundo ele, nunca chegou a se concretizar. Ele afirma ter sido seduzido por ofertas de salário de “50 mil”, que imaginou serem em reais. Na verdade, tratavam-se de valores em grívnias, moeda local, equivalentes a pouco mais de R$ 5 mil. “O que vem na cabeça é real. Falam ‘50 mil’ e você acredita.”

Redney, outro baiano, tinha um sonho antigo de se tornar militar — frustrado por não conseguir ingressar no Exército brasileiro. Sem experiência alguma, decidiu ir para a Ucrânia movido, segundo ele, por adrenalina. “Nunca servi o Exército. Tudo o que sei sobre guerrilha aprendi na Ucrânia”, disse.

O plano era ficar 30 dias. Permaneceu 172. Nesse período, viveu sob bombardeios, ficou a apenas 100 metros das forças russas, perdeu 17 colegas — entre eles o paranaense Wagner, o Braddock — e foi ferido por uma granada, ficando com parte do corpo paralisado por dias. “Ele saiu da trincheira sem equipamento e um drone atingiu. Estava sem colete, sem nada.”

Ex-combatentes também relatam casos de tortura contra quem tenta fugir do front. “Quem tenta fugir, se for pego, é preso e torturado”, disse um brasileiro que conseguiu escapar.

Outro afirmou que chegou a lutar contra soldados ucranianos durante a fuga. Após retornar ao Brasil, um dos combatentes contou que perdeu 28 quilos e passou dias sem comida adequada. “Cheguei a ficar três dias só com o tempero do macarrão instantâneo”, disse.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, desde o início da guerra, 19 brasileiros morreram na Ucrânia. Outros 44 estão desaparecidos.

Familiares enfrentam meses sem notícias. A esposa de um dos desaparecidos disse que não tem informações desde novembro. “Pode estar morto. É uma realidade que eu tento enfrentar”, afirmou.

Em nota, o Itamaraty informou que foi comunicado pelas autoridades ucranianas sobre o desaparecimento do brasileiro e que a embaixada presta assistência à família.

A guerra se aproxima do quarto ano, e os ataques continuam. A Rússia retomou bombardeios após o fim da trégua de inverno, às vésperas de uma nova rodada de negociações.

Há ainda brasileiros no front. A equipe do Fantástico conversou com Marcelo, outro baiano que hoje integra as forças especiais e de inteligência da Ucrânia. Ele fala da cidade de Zaporizhzhia, onde fica a maior usina nuclear da Europa:

A embaixada da Ucrânia no Brasil informou que não recruta brasileiros e que quem se alista tem os mesmos direitos e deveres de um cidadão ucraniano em serviço militar.

De volta ao Brasil, ex-combatentes tentam retomar a rotina. Um deles disse que ainda sofre com as lembranças da guerra.

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Fonte Fantástico

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