O Curso de alta costura é promovido pelo Projeto Liberta idealizado pelo Judiciário e realizado através de recursos destinados pelo Conselho Municipal da Mulher
O Projeto Liberta iniciou nesta semana, em Barracão, uma nova turma do curso de corte e costura e alta costura destinado a mulheres vítimas de violência acompanhadas pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário. A iniciativa foi financiada com recursos no valor de R$ 55 mil, liberados pela Secretaria de Desenvolvimento Social e Família, por meio do Conselho Municipal da Mulher.
Durante a abertura das atividades, realizada no Fórum da Comarca, a secretária de Desenvolvimento Social e Família Iara Souza, destacou que os recursos foram destinados exclusivamente à execução do curso.
“O projeto está vinculado ao Conselho da Comunidade, e o Conselho da Mulher que está dentro da minha Secretaria, acabou liberando um valor de 55 mil que será direcionado exclusivamente a esse curso. São mulheres que foram vítimas de violência, mulheres que vêm sendo acompanhadas pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário e que estarão fazendo um curso de corte e costura, e alta costura, trabalhando por sua vez a valorização da mulher, sua autonomia e ampliando oportunidades de geração de renda”, destacou Iara.
Ao comentar o impacto da ação, a secretária ressaltou que a qualificação profissional é uma ferramenta concreta para promover independência financeira.
A instrutora responsável pelas aulas, Dell Olsen, enfatizou que a qualificação é essencial para que as mulheres possam reconstruir suas trajetórias. Em sua avaliação, a capacitação profissional oferece condições reais para inserção no mercado de trabalho ou desenvolvimento de atividade autônoma, permitindo que as participantes deixem situações de sofrimento com maior segurança.
“A qualificação é importantíssima, porque elas não podem sair do ninho do sofrimento se não estiverem qualificadas a algum tipo de trabalho, e a costura apresenta uma característica específica: pode ser realizada no próprio domicílio, possibilitando que as mulheres organizem seus horários e conciliem o trabalho com o cuidado dos filhos e das atividades domésticas. Essa flexibilidade contribui para a geração de renda sem exigir deslocamentos diários ou jornadas externas e prolongadas”, destacou Dell.
A professora também afirmou que o trabalho manual possui caráter terapêutico. Segundo ela, a produção de peças próprias gera sensação de realização pessoal e conforto emocional, além de representar uma alternativa de sustento. “Por não ser repetitiva como em linhas industriais, tende a ser menos desgastante fisicamente”.
A instrutora recordou que, no ano anterior, uma turma concluiu o curso e garantiu avanços na autonomia das participantes, motivo pelo qual a iniciativa está sendo repetida.
A representante do Conselho da Comunidade, Elisane da Silva Korte Pilatti, explicou que o Projeto Liberta foi criado pelo Ministério Público e posteriormente teve sua coordenação e desenvolvimento transferidos ao Conselho da Comunidade. Ela informou que, em 2024, foi realizada a primeira turma do curso, com duração de seis meses, e que, em março de 2025, ocorreu um desfile para apresentação dos trabalhos produzidos pelas alunas, como forma de demonstrar os resultados obtidos.
“Esse é um projeto muito importante para a nossa comunidade, para vir a fortalecer essas mulheres que são vítimas de violência, buscando um fortalecimento pessoal e capacitação, para que elas possam estar se empoderando e saindo desse ciclo de violência, porque muitas vezes a mulher permanece na relação justamente por ser dependente do marido. E através do curso, através do projeto, elas têm uma outra maneira de obter sua independência financeira, e assim possam romper o ciclo de violência”, afirmou Elisane.
Conforme dados mencionados por ela, aproximadamente 98% das vítimas de violência dependem economicamente de seus agressores. Nesse contexto, a oferta do curso de corte e costura surge como alternativa viável, já que pode ser desenvolvida dentro da residência, permitindo que as mulheres cuidem dos filhos e, ao mesmo tempo, obtenham renda para sustento próprio e da família.
O Projeto Liberta integra as ações locais voltadas à promoção da autonomia feminina e ao enfrentamento da violência doméstica, reunindo esforços do Judiciário, do Ministério Público, da Secretaria de Desenvolvimento Social e do Conselho da Comunidade para oferecer qualificação profissional e suporte às mulheres em situação de vulnerabilidade.

Leia também:
- Caminhonete é completamente destruída pelo fogo no centro de Bernardo de Irigoyen
- O que o excesso de telas está fazendo com a visão das crianças?
- Antigas bibliotecas já tinham sistemas de catalogação


