Vice-prefeita e demais representantes do Poder Legislativo de Turilândia, no Maranhão, foram presos em operação do Ministério Público que apura um esquema de corrupção responsável por desviar mais de R$ 56 milhões dos cofres públicos.
A cidade de Turilândia, no interior do Maranhão, com aproximadamente 31 mil habitantes, tornou-se alvo de uma das mais amplas ações de combate à corrupção já registradas no estado. Todos os representantes do Poder Executivo e do Poder Legislativo municipal foram presos durante a Operação Tântalo II, deflagrada pelo Ministério Público do Maranhão. A investigação aponta a existência de um esquema estruturado de desvio de recursos públicos que funcionava de forma sistemática dentro da administração municipal.
De acordo com informações divulgadas em reportagem exibida pelo programa Fantástico, o prefeito Paulo Curió, filiado ao União Brasil, era apontado como o principal operador do esquema. Segundo o Ministério Público, as irregularidades contavam com a participação direta de vereadores, além da anuência da Controladoria-Geral do Município, o que permitiu a continuidade das fraudes por vários anos sem interrupção ou fiscalização efetiva.
Ao todo, 21 pessoas foram presas durante a operação. Entre os detidos estão o prefeito Paulo Curió, a vice-prefeita Tânia Mendes, do PRD, o controlador-geral do município, Wandson Barros, a ex-vice-prefeita Janaína Lima, também do PRD, e os 11 vereadores que compõem a Câmara Municipal de Turilândia. O prejuízo estimado aos cofres públicos ultrapassa R$ 56 milhões, valor que, segundo os investigadores, foi desviado por meio de contratos fraudulentos e pagamentos superfaturados.
As apurações indicam que o esquema teve início em 2021, quando Janaína Lima e o marido passaram a utilizar um posto de combustíveis como instrumento para desviar recursos da prefeitura. Oficialmente, os pagamentos eram registrados como despesas com abastecimento da frota municipal. No entanto, os serviços não eram prestados na prática, e os valores pagos retornavam ao prefeito, caracterizando lavagem de dinheiro.
Durante a investigação, a servidora municipal responsável pelo setor de licitações, Clementina de Jesus Pinho, confessou que cerca de 95% dos contratos firmados pela prefeitura eram fraudados por determinação direta do prefeito. Segundo o Ministério Público, o Executivo municipal realizava repasses mensais de aproximadamente R$ 2 milhões aos vereadores, como forma de garantir apoio político e evitar questionamentos ou denúncias sobre as irregularidades.
Mesmo após as prisões, parte dos vereadores permanece em regime domiciliar, utilizando tornozeleira eletrônica. Ainda assim, eles continuam exercendo suas funções legislativas, com restrições de contato com outros investigados. O presidente da Câmara Municipal, José Luís Araújo, também investigado no inquérito, assumiu interinamente o comando da prefeitura após o afastamento do prefeito titular.
O caso segue sob investigação do Ministério Público do Maranhão, que apura a extensão dos danos causados aos cofres públicos e a eventual participação de outros envolvidos. As autoridades afirmam que novas medidas judiciais não estão descartadas, incluindo ações para recuperação dos valores desviados e responsabilização civil e criminal dos investigados.

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