Por que o buraco negro no centro da Via Láctea gera apreensão entre os cientistas?

O buraco negro supermassivo no coração da Via Láctea está desafiando limites cósmicos ao girar quase à velocidade máxima, arrastando consigo o espaço-tempo e tudo o que estiver por perto. Esta descoberta fascinante oferece uma visão única do comportamento dos buracos negros supermassivos e tem implicações profundas na compreensão da formação desses misteriosos objetos cósmicos.

Conhecido como Sagitário A* (Sgr A*), o buraco negro supermassivo da Via Láctea foi alvo de estudo intensivo pelos físicos que usaram o Observatório de Raios X Chandra da NASA para observar os raios X e as ondas de rádio emanando dos fluxos de material ao seu redor. O que eles descobriram é surpreendente: a velocidade de rotação de Sgr A* está entre 0,84 e 0,96, muito próxima do limite superior definido pela largura de um buraco negro.

Esta velocidade alucinante tem implicações significativas. Quando um buraco negro gira, ele literalmente torce a estrutura do espaço-tempo, criando o que é conhecido como ergosfera. Este fenômeno único dos buracos negros não ocorre com corpos sólidos como planetas ou estrelas. Dentro da ergosfera, os buracos negros arrastam consigo qualquer coisa, incluindo a luz, devido ao que é chamado de “arrasto de quadro” ou “efeito Lensing-Thirring”.

O efeito de arrastar o quadro resulta em fenômenos visuais notáveis ao redor dos buracos negros, incluindo lente gravitacional, anéis de luz e a criação da sombra do buraco negro. Essas manifestações são a prova da influência gravitacional massiva dos buracos negros na luz e no espaço ao seu redor.

A velocidade máxima teórica de rotação de um buraco negro é determinada por vários fatores, incluindo a quantidade de matéria que cai nele e sua massa. Buracos negros mais massivos têm uma maior atração gravitacional, tornando mais difícil aumentar sua rotação. Além disso, a interação entre o buraco negro e seu entorno, como os discos de acreção, pode transferir momento angular e afetar sua rotação.

Isso levanta uma pergunta intrigante: por que Sgr A*, com uma massa equivalente a cerca de 4,5 milhões de sóis, tem uma velocidade de rotação tão próxima do limite máximo, entre 0,84 e 0,96, enquanto o buraco negro supermassivo no centro da galáxia M87, com uma massa de 6,5 bilhões de sóis, gira entre 0,89 e 0,91?

Essa descoberta desafia nossa compreensão da física dos buracos negros e dos processos astrofísicos associados a esses objetos cósmicos intrigantes. Os buracos negros continuam a nos surpreender com seu comportamento único e complexo, e Sgr A* é uma janela para o estudo desses fenômenos cósmicos fascinantes. À medida que a pesquisa avança, novas descobertas podem revelar ainda mais segredos sobre o comportamento dos buracos negros e sua influência no cosmos.

O buraco negro supermassivo Sgr A* na Via Láctea está girando quase à velocidade máxima, desafiando os limites cósmicos e revelando uma nova dimensão na compreensão dos buracos negros. Essa descoberta tem implicações profundas na física e na astronomia e nos lembra que o universo está cheio de maravilhas e mistérios a serem desvendados.

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