A população total do Japão voltou a cair pelo terceiro ano consecutivo, segundo dados do censo realizado pelo Ministério de Assuntos Internos e Comunicações. O levantamento confirma a continuidade da redução demográfica no país, causada principalmente pelo envelhecimento da população e pelo declínio natural, quando o número de mortes supera o de nascimentos.
A pesquisa, realizada desde 1920, mostra que a situação demográfica japonesa segue em agravamento. O país enfrenta há anos a combinação de baixa natalidade, aumento da expectativa de vida e redução da população em idade ativa. Esse cenário tem impacto direto sobre a economia, o mercado de trabalho, os serviços públicos e a organização territorial do país.
Além da queda no número total de habitantes, o censo aponta aumento da concentração populacional na região metropolitana de Tóquio. Pela primeira vez, a área passou a reunir 30,1% de todos os moradores do Japão. O dado reforça a diferença entre a capital e as demais regiões do arquipélago.
Segundo o levantamento, apenas Tóquio e Okinawa registraram leve crescimento populacional. As outras 45 províncias japonesas tiveram redução no número de habitantes. A concentração na capital amplia a preocupação do governo com o esvaziamento das regiões, a perda de dinamismo econômico local e a dificuldade de manter serviços públicos em áreas com população cada vez menor.
Durante coletiva de imprensa, o secretário-chefe do Gabinete, Minoru Kihara, reconheceu a gravidade do quadro demográfico. Ele afirmou que o governo pretende adotar medidas para fortalecer as economias regionais e incentivar a descentralização.
De acordo com Kihara, o objetivo é reduzir a dependência excessiva de Tóquio e estimular uma distribuição mais equilibrada de empresas e moradores pelo território japonês. A estratégia busca conter o avanço da concentração populacional na capital e apoiar regiões afetadas pela redução de habitantes.
O censo também registrou aumento da população estrangeira residente no Japão. O número chegou a aproximadamente 3,21 milhões de pessoas, acima dos 2,75 milhões contabilizados no levantamento de 2020. O crescimento ocorre em um momento em que o país discute alternativas para enfrentar a escassez de trabalhadores e a redução da população economicamente ativa.
No cenário internacional, o Japão permanece entre os países mais populosos do mundo, mas apresenta uma das quedas demográficas mais acentuadas entre as grandes nações. Dados da ONU para 2025 colocam o país na 12ª posição em população total. Entre os 20 países mais populosos, o Japão registra ritmo de declínio superior ao observado em países como China, Rússia e Tailândia.
A redução populacional impõe desafios de longo prazo ao governo japonês. Entre eles estão a manutenção da atividade econômica nas regiões, o financiamento da previdência, a oferta de serviços de saúde para uma população mais idosa e a necessidade de equilibrar o desenvolvimento entre Tóquio e as demais províncias.
O avanço da concentração na capital também pressiona infraestrutura, moradia e transporte na região metropolitana. Ao mesmo tempo, municípios do interior enfrentam perda de moradores, envelhecimento acelerado e redução da base produtiva. O governo japonês terá de conciliar políticas de apoio às regiões com medidas voltadas ao enfrentamento da baixa natalidade e da escassez de mão de obra.

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Heloisa Lima é redatora de artigos sobre variedades, curiosidades, esportes, culinária e cultura.
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