Os pombos fazem parte da paisagem urbana de praticamente todas as grandes cidades do mundo atual. No entanto, um novo estudo arqueológico sugere que a relação entre humanos e essas aves começou muito antes do que se imaginava. Pesquisadores identificaram evidências de que pombos já viviam próximos das populações humanas há cerca de 3.400 anos, durante a Idade do Bronze, na antiga cidade portuária de Hala Sultan Tekke, em Chipre.
A descoberta foi divulgada pela revista científica Antiquity e pode alterar parte do entendimento histórico sobre o processo de domesticação dessas aves. Até então, os registros mais antigos conhecidos de pombos domesticados estavam ligados à Grécia e eram cerca de mil anos mais recentes.
Ossos encontrados revelam convivência próxima entre humanos e pombos
Os pesquisadores analisaram ossos de pombos da espécie Columba livia encontrados em escavações arqueológicas realizadas em Hala Sultan Tekke, importante centro comercial do Mediterrâneo Oriental durante a Idade do Bronze.
Segundo os cientistas, a análise isotópica dos restos ósseos demonstrou que os pombos possuíam uma alimentação muito semelhante à dos humanos da época. Esse detalhe indica que as aves provavelmente recebiam alimento diretamente das populações locais ou viviam em ambientes fortemente influenciados pela atividade humana.
O arqueólogo Anderson Carter afirmou que já existiam indícios históricos da domesticação de pombos no Oriente Médio e no Mediterrâneo Oriental, principalmente por registros egípcios antigos, mas ainda havia dúvidas sobre quando exatamente essa relação começou.
Cidade portuária foi centro estratégico no Mediterrâneo
O sítio arqueológico de Hala Sultan Tekke é considerado uma das áreas mais importantes da arqueologia mediterrânea. Localizada próxima à costa cipriota, a cidade antiga teve papel estratégico no comércio marítimo da época, conectando diferentes civilizações do Oriente Médio e da Europa.
Para os pesquisadores, o ambiente urbano e comercial favorecia a aproximação dos pombos com os humanos, já que as aves encontravam alimento e abrigo próximos das habitações e áreas de armazenamento.
A pesquisadora Canan Çakırlar destacou que os resultados indicam um estágio inicial de domesticação ou uma convivência extremamente próxima entre as aves e os habitantes locais.
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Apaixonada pela literatura brasileira e internacional, Heloísa Montagner Veroneze é reatora de artigos locais e regionais, com experiência em temas diversos, especialmente sobre livros, arqueologia e curiosidades.
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