Polícia da Ucrânia impede venda ilegal de artefatos romanos raros desenterrados ilegalmente

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As autoridades policiais da Ucrânia impediram a comercialização ilegal de uma coleção de artefatos arqueológicos raros atribuídos ao período romano tardio. O caso foi registrado na região de Vinnytsia, onde um morador local realizou escavações não autorizadas em área agrícola e tentou vender os objetos por meio de redes sociais.

Segundo informações da Polícia Nacional da Ucrânia, o homem, de 39 anos, utilizava um detector de metais em terras situadas entre vilarejos do distrito de Vinnytsia quando localizou um conjunto de peças de bronze datadas da segunda metade do século III d.C. Especialistas avaliam que os artefatos podem ter origem em um sepultamento de alto status social, descrito preliminarmente como um possível “sepultamento principesco”, hipótese que poderá contribuir para novos estudos sobre as estruturas sociais da Europa Oriental durante o período romano tardio.

De acordo com as autoridades, o suspeito não possuía qualquer autorização oficial para realizar escavações arqueológicas ou atividades de prospecção. A legislação ucraniana estabelece que achados arqueológicos são considerados patrimônio do Estado e devem ser imediatamente comunicados às instituições competentes de preservação cultural. Em vez disso, o homem teria fotografado os objetos e publicado imagens com a intenção de comercializá-los.

A publicação chamou a atenção de especialistas vinculados ao Museu Nacional de História da Ucrânia, que identificaram o potencial valor científico e histórico das peças e comunicaram o fato às autoridades policiais. A partir dessa denúncia, foi iniciada investigação para apurar a origem dos objetos e as circunstâncias da escavação.

As diligências confirmaram que o material havia sido retirado do solo sem supervisão técnica e fora dos parâmetros legais. Após obtenção de autorização judicial, a polícia realizou busca na residência do suspeito. No local, foram recuperados 54 fragmentos arqueológicos, entregues voluntariamente pelo investigado durante a operação.

Os artefatos foram encaminhados ao Museu Nacional de História da Ucrânia, onde passarão por exames detalhados, catalogação e medidas de conservação. A análise técnica deverá determinar com maior precisão o contexto arqueológico, a função dos objetos e a possível vinculação a um complexo funerário de elite. Especialistas indicam que, caso confirmada a hipótese de sepultamento principesco, a descoberta poderá ampliar o entendimento sobre hierarquias sociais, práticas funerárias e redes de influência na região durante o domínio romano.

A atuação das autoridades reforça a importância da fiscalização contra escavações clandestinas, prática que compromete a integridade do patrimônio arqueológico e prejudica pesquisas científicas. A retirada de objetos sem documentação adequada elimina informações contextuais fundamentais, como a posição exata das peças no solo e a relação com outros vestígios, elementos essenciais para a reconstrução histórica.

O caso também evidencia o papel das instituições museológicas e de especialistas na identificação de bens culturais anunciados irregularmente em ambientes digitais. A cooperação entre pesquisadores e forças de segurança permitiu a recuperação integral do material antes que fosse disperso no mercado ilegal.

As investigações seguem para apurar eventuais responsabilidades penais relacionadas à escavação não autorizada e à tentativa de comercialização de patrimônio histórico. A legislação ucraniana prevê sanções para a exploração irregular de sítios arqueológicos e para a venda ilegal de bens culturais pertencentes ao Estado.

A apreensão dos artefatos em Vinnytsia destaca a relevância da proteção do patrimônio histórico e científico, especialmente em regiões com registros arqueológicos significativos do período romano. O exame aprofundado das peças poderá oferecer novas informações sobre a presença romana na Europa Oriental e sobre as interações culturais e políticas estabelecidas na região durante o século III.

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