Poço funerário da Era Viking na Inglaterra expõe sinais de execuções e desmembramentos

Poço funerário da Era Viking na Inglaterra expõe sinais de execuções e desmembramentos

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A arqueologia britânica foi surpreendida por uma descoberta inquietante nos arredores de Cambridge. Durante uma escavação acadêmica realizada em 2025, pesquisadores identificaram um poço funerário da Era Viking contendo restos humanos em condições incomuns: esqueletos completos misturados a crânios isolados e ossos longos empilhados. O conjunto sugere episódios de violência extrema associados ao turbulento cenário de fronteira entre saxões e vikings no século IX.

O achado em Wandlebury

O sítio fica no Wandlebury Country Park, cerca de 5 km ao sul de Cambridge, onde há vestígios de um forte da Idade do Ferro que continuou relevante na Alta Idade Média. A escavação foi conduzida por arqueólogos e estudantes da Universidade de Cambridge como atividade de treinamento de campo.

Dentro de um poço estreito, com aproximadamente 4 m por 1 m, foram identificados restos de ao menos dez indivíduos. Havia quatro esqueletos relativamente completos, diversos crânios sem os respectivos corpos e uma concentração atípica de ossos das pernas, empilhados de forma incomum mesmo para sepultamentos coletivos.

Poço funerário da Era Viking na Inglaterra expõe sinais de execuções e desmembramentos
Foto: David Matzliach/Unidade Arqueológica de Cambridge/Universidade de Cambridge

Indícios de execução e punição corporal

Os pesquisadores observaram marcas compatíveis com decapitação e outros traumas severos. A disposição dos corpos, lançados sem qualquer cuidado ritual, e a possível posição de amarração de alguns esqueletos indicam que as vítimas podem ter sido executadas ou submetidas a punições corporais.

A ausência de lesões típicas de combates em massa sugere que o poço não representa simplesmente o rescaldo de uma batalha. A hipótese predominante é a de um local associado a execuções em um ponto de reunião relevante para a comunidade da época.

No século IX, Cambridgeshire funcionava como área de fronteira entre o reino saxão da Mércia e a Ânglia Oriental, dominada por grupos vikings por volta de 870 d.C. Conflitos recorrentes por território marcaram a região por décadas, o que dá sustentação histórica à interpretação de violência sistemática no local.

A presença de cabeças e membros separados, em alguns casos agrupados por tipo, levanta ainda a possibilidade de exposição prévia dessas partes como forma de intimidação, antes de serem descartadas no poço.

Poço funerário da Era Viking na Inglaterra expõe sinais de execuções e desmembramentos
Foto: David Matzliach/Unidade Arqueológica de Cambridge/Universidade de Cambridge

O “gigante” que passou por trepanação

Entre os indivíduos, um jovem de estatura incomum chamou atenção: cerca de 1,95 m, muito acima da média masculina do período. Seu crânio apresenta um orifício oval cicatrizado, sinal de que passou por uma trepanação ainda em vida — procedimento cirúrgico raro, possivelmente realizado para aliviar pressão intracraniana ligada a um distúrbio hormonal.

O achado indica conhecimento médico surpreendente para a época e adiciona uma camada humana singular ao conjunto já dramático do sítio.

Poço funerário da Era Viking na Inglaterra expõe sinais de execuções e desmembramentos
Foto: David Matzliach/Unidade Arqueológica de Cambridge/Universidade de Cambridge

Os restos mortais passarão por exames de DNA antigo, datação por isótopos e estudos osteológicos detalhados para determinar origem, saúde e possíveis vínculos entre os indivíduos. Os pesquisadores também pretendem recompor ossos desmembrados para estimar com maior precisão o número total de pessoas ali depositadas.

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