Um artefato descoberto há mais de um século voltou ao centro das atenções da comunidade científica e trouxe novas respostas sobre o comportamento humano na pré-história. Um estudo recente revelou a verdadeira origem de um pingente encontrado na Caverna de Kent, no sudoeste da Inglaterra, indicando conexões culturais e deslocamentos mais amplos do que se imaginava.
Pesquisadores liderados por Simon A. Parfitt concluíram que o pingente foi confeccionado a partir do dente de uma foca-cinzenta adulta macho. A descoberta corrige interpretações anteriores, que sugeriam que o objeto poderia ter origem em animais como texugos, lobos ou castores.
O estudo contou com a participação de especialistas do Museu de História Natural de Londres, que analisaram a estrutura do dente e os sinais de manipulação humana. A peça apresenta modificações precisas, incluindo a remoção de parte da raiz e a perfuração com uma ferramenta de sílex.
De acordo com a pesquisadora Silvia Bello, o pingente demonstra sinais claros de uso contínuo ao longo do tempo. O desgaste e o polimento indicam que o objeto foi utilizado por anos, possivelmente como adorno pessoal ou símbolo de identidade.

Outro detalhe relevante é a deformação do orifício por onde passava o cordão. Originalmente circular, ele se tornou oval com o uso prolongado, evidenciando a frequência com que a peça era utilizada por seu portador.
O pingente foi encontrado na Caverna de Kent pelo arqueólogo William Pengelly, que registrou detalhadamente a posição dos objetos nas camadas de sedimento.
Na época em que o objeto foi perdido, há cerca de 15 mil anos, a caverna estava localizada a mais de 96 quilômetros do litoral. Esse dado sugere que os grupos humanos da região percorriam grandes distâncias, possivelmente acompanhando rotas de animais ou explorando diferentes territórios.
A presença de um dente de foca em uma região distante da costa também levanta a hipótese de que existiam redes de troca entre grupos humanos. Segundo os pesquisadores, esse tipo de artefato pode indicar movimentação não apenas dentro da Grã-Bretanha, mas também possíveis conexões com outras áreas da Europa.
Os resultados do estudo foram publicados na revista científica Quaternary Science Reviews.
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