Pesquisadores encontram antigos tabuleiros de jogos esculpidos em rochas

No coração do Quênia, a arqueóloga Veronica Waweru, da Universidade de Yale, desvendou um sítio arqueológico que redefine nossa compreensão sobre o entretenimento e a cultura dos povos antigos. Uma “arcada” de tabuleiros de jogo Mancala, meticulosamente esculpidos em rochas, foi descoberta, evidenciando a presença e a popularidade deste jogo milenar. Este achado não apenas destaca a criatividade e a inteligência dos povos antigos mas também ilumina aspectos significativos de suas vidas sociais e rituais.

Uma antiga tradição

Mancala, um dos jogos de tabuleiro mais antigos conhecidos, tem suas raízes possivelmente na África ou no Oriente Médio. A descoberta de Waweru em uma saliência rochosa, repleta de poços rasos destinados ao jogo, oferece um vislumbre fascinante de como as gerações anteriores se engajavam em atividades de lazer, utilizando recursos naturais limitados para criar formas duradouras de entretenimento.

A erosão variável dos poços indica que esses tabuleiros de Mancala foram usados ao longo de diferentes períodos, sugerindo uma tradição contínua que pode ter durado milênios. “É um vale cheio desses tabuleiros de jogo, como um antigo fliperama”, observou Waweru, destacando a atmosfera lúdica e comunitária do local.

A proximidade dos tabuleiros de jogo a 19 túmulos antigos levanta questões intrigantes sobre a relação entre o lazer e os rituais funerários dos povos antigos. Waweru teoriza que os jogos podem ter desempenhado um papel nas cerimônias ou práticas rituais, possivelmente facilitando a comunhão com os ancestrais ou celebrando a continuidade da vida além da morte.

A presença constante de fontes de água próximas sugere que o local não só servia para jogos e rituais mas também atraía comunidades antigas por motivos práticos e espirituais. Este aspecto ressalta a importância dos recursos naturais como pontos de encontro e atividade para os povos antigos.

Desafios e perspectivas

Determinar a idade exata dos tabuleiros de jogo apresenta desafios, dado que estão esculpidos em rochas com 400 milhões de anos. No entanto, Waweru espera que a análise de DNA dos materiais encontrados nos túmulos próximos forneça insights sobre a conexão entre os antigos jogadores de Mancala e os humanos modernos.

O estudo dos jogos antigos como Mancala oferece uma perspectiva valiosa sobre a qualidade de vida dos povos antigos, desafiando a noção de que a existência pré-histórica era puramente uma luta pela sobrevivência. As atividades de lazer, como evidenciado por este sítio arqueológico, sugerem uma complexidade e riqueza na vida social e cultural que merece ser mais explorada.

A descoberta de Veronica Waweru no Quênia não apenas enriquece nosso entendimento do jogo Mancala mas também nos oferece uma janela para a vida cotidiana, os rituais e as tradições dos povos antigos. Este achado arqueológico reafirma a capacidade humana de inovação e socialização, utilizando os recursos disponíveis para criar espaços de comunidade, lazer e celebração. À medida que continuamos a explorar e interpretar esses tabuleiros de jogo antigos, podemos esperar desvendar mais segredos sobre as culturas que moldaram nosso mundo.

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