jfs

Pesquisadores encontram 510 terremotos em região inesperada da Antártida Oriental

Uma equipe internacional de cientistas identificou 510 terremotos de profundidade intermediária sob a geleira David, na Antártida Oriental, em um local onde a ocorrência sísmica é considerada improvável segundo modelos tradicionais. A descoberta foi divulgada em artigo publicado na revista Science e resultou da aplicação de técnicas de inteligência artificial à análise de sinais sísmicos.

Os pesquisadores detectaram 510 eventos sísmicos localizados entre 100 e 150 quilômetros de profundidade, com magnitudes entre 1,6 e 3,5. Para chegar a esse total, a equipe processou dados coletados por 49 estações de monitoramento distribuídas pela Antártida Oriental e utilizou um sistema de aprendizado profundo capaz de separar sinais sísmicos de ruídos registrados pelos equipamentos.

Além do reconhecimento automático dos eventos, a localização dos tremores foi feita por meio da comparação entre ondas P — que atravessam qualquer material — e ondas S — que se propagam apenas em meios sólidos. Essa análise permitiu identificar fraturas subterrâneas e estimar a posição dos terremotos.

O relevo da descoberta se deve ao fato de a área estar distante dos limites de placas tectônicas, onde ocorre a maior parte da atividade sísmica. Eventos intraplaca — aqueles que ocorrem no interior das placas e longe de margens ativas — desafiam o paradigma tradicional da tectônica de placas, que prevê pouca deformação no interior das placas.

Hipóteses sobre as causas

Os autores apontam que a região investigada fica próxima a um limite litosférico que separa duas zonas com propriedades distintas: uma litosfera mais espessa e fria da Antártida Oriental e outra mais fina e quente da Antártida Ocidental. Essa diferença física entre as unidades geológicas pode concentrar tensões suficientes para desencadear rupturas.

Os cientistas também consideram a influência de material quente ascendente do manto e o peso da cobertura de gelo local como fatores que podem facilitar o surgimento de terremotos em profundidades tão grandes. No entanto, o estudo não explica completamente por que os eventos estão concentrados especificamente sob a geleira David.

Estruturas geológicas semelhantes foram observadas em outras partes das Montanhas Transantárticas, o que indica que fatores locais adicionais podem atuar na gênese desses tremores. Os autores ressaltam ainda que o uso crescente de inteligência artificial e métodos modernos de processamento pode revelar muitos outros eventos sísmicos que permaneceram ocultos.

Com informações de Olhardigital

Nota Editorial: Este conteúdo faz parte da cobertura jornalística do Jornal da Fronteira, feito por humano com ajuda de ferramentas de inteligência artificial, sob revisão de editor humano.

Sugestões de pauta: Entre em contato via WhatsApp: (49) 3644 1724.

🚀 Aproveite e nos siga no Google Notícias: Clique aqui para seguir o Jornal da Fronteira

Rolar para cima
Copyright © Todos os direitos reservados.