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Pesquisadora alemã referência em tamanduás morre em queda de avião em Campo Grande

A pesquisadora e jornalista científica alemã Lydia Theresia Möcklinghoff morreu em um acidente aéreo registrado na manhã desta sexta-feira (3), em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Reconhecida por seus estudos sobre o tamanduá-bandeira no Pantanal, ela estava em uma aeronave que seguia para a região pantaneira quando ocorreu a queda.

O piloto Henrique Martin também morreu no acidente. As mortes foram confirmadas no local pela equipe da TV Morena.

A aeronave caiu nas proximidades do Aeroporto Santa Maria, na saída de Campo Grande em direção a Três Lagoas. Segundo as primeiras informações repassadas pelas autoridades, o avião decolou do aeródromo e tentou realizar um pouso em uma pista privada.

A suspeita inicial é de que o piloto tenha buscado uma alternativa em razão da baixa visibilidade provocada pela neblina registrada em Campo Grande durante a manhã. As circunstâncias, no entanto, ainda serão analisadas pelos órgãos responsáveis pela investigação.

O acidente ocorreu por volta das 6h30. Até aproximadamente as 9h, equipes do Corpo de Bombeiros ainda tentavam chegar ao ponto da queda. Conforme as informações apuradas, veículos de socorro ficaram atolados na estrada de terra que dava acesso ao local, dificultando o deslocamento das equipes.

A aeronave pertence à empresa Amapil Táxi Aéreo. O avião, de prefixo PT-WYQ, é um EMB-810D, modelo bimotor a pistão de pequeno porte fabricado pela Neiva em 1983. O equipamento é homologado para transportar até seis passageiros, além do piloto, com capacidade total para sete ocupantes. O peso máximo de decolagem é de 2.155 quilos.

As causas do acidente serão investigadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, o Cenipa. O trabalho deverá analisar as condições meteorológicas, as informações operacionais do voo, o estado da aeronave e os demais fatores relacionados à ocorrência.

Lydia Theresia Möcklinghoff era zoóloga, ecóloga tropical, escritora, jornalista e divulgadora científica. Nascida em 1981, na Alemanha, tornou-se conhecida internacionalmente pelas pesquisas relacionadas ao tamanduá-bandeira, espécie de nome científico Myrmecophaga tridactyla.

A pesquisadora desenvolvia trabalhos de campo no Pantanal de Mato Grosso do Sul desde o fim dos anos 2000. Durante vários meses do ano, acompanhava mamíferos silvestres e analisava o comportamento, o uso do habitat, os riscos ambientais e as estratégias necessárias para a conservação das espécies.

Lydia foi uma das primeiras pesquisadoras a acompanhar tamanduás-bandeira em estudos prolongados realizados diretamente na natureza. O trabalho desenvolvido no Pantanal contribuiu para ampliar o conhecimento sobre os hábitos da espécie, classificada como vulnerável à extinção.

Ela possuía mestrado em Zoologia pela Universidade de Würzburgo, na Alemanha. Também desenvolvia doutorado em Zoologia pela Universidade de Bonn, com a tese intitulada “Conservação dos mamíferos no Pantanal”.

A pesquisadora integrava o Grupo de Pesquisa em Ecologia Tropical do Museu de Pesquisa Zoológica Alexander Koenig, em Bonn, e participava da Computational Bioacoustics Research Unit, conhecida pela sigla CO.BRA.

Além da atuação acadêmica, Lydia produzia conteúdos voltados à divulgação científica e à conservação ambiental. Ela também escreveu livros sobre vida selvagem, participou de palestras, documentários e programas de televisão relacionados ao Pantanal e à fauna brasileira.

A Amapil Táxi Aéreo divulgou uma nota em que confirmou o acidente e lamentou as mortes do piloto e da passageira. A empresa também informou que está colaborando com as autoridades responsáveis pela investigação.

Ao se manifestar sobre o caso, a empresa apresentou condolências às famílias das vítimas e afirmou que prestará o apoio necessário.

“A AMAPIL Táxi Aéreo Ltda. confirma, com profundo pesar, o acidente ocorrido na manhã desta sexta-feira, 3 de julho de 2026, envolvendo uma de suas aeronaves, que resultou no falecimento do piloto e de uma passageira. Neste momento de imensa tristeza, a empresa manifesta sua solidariedade e as mais sinceras condolências aos familiares, amigos e pessoas próximas das vítimas, colocando-se à disposição para prestar todo o apoio necessário.”

Na sequência da nota, a empresa afirmou que atua há mais de cinco décadas na aviação civil e declarou que mantém compromisso com os procedimentos de segurança e manutenção das aeronaves.

“Toda a equipe da AMAPIL está profundamente consternada com o ocorrido. Há mais de 52 anos atuando na aviação civil, a empresa sempre conduziu suas operações com absoluto compromisso com a segurança, a manutenção de suas aeronaves e o rigor técnico exigido pela atividade. Desde os primeiros momentos, a AMAPIL vem colaborando integralmente com o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) e com as demais autoridades competentes, fornecendo todas as informações e o suporte necessários para a apuração dos fatos.”

A empresa informou ainda que não comentará possíveis causas ou aspectos técnicos enquanto a investigação estiver em andamento.

“As causas do acidente ainda estão sendo investigadas pelos órgãos responsáveis. Em respeito às famílias das vítimas e à investigação em curso, a empresa não se manifestará sobre aspectos técnicos ou circunstâncias do acidente até a conclusão dos trabalhos oficiais. A AMAPIL reafirma seu compromisso com a transparência, com a segurança operacional e com o respeito às vítimas e seus familiares.”

A investigação do Cenipa deverá esclarecer a sequência de acontecimentos entre a decolagem, a tentativa de pouso e a queda da aeronave. Até a conclusão dos trabalhos técnicos, a relação entre a neblina e o acidente permanece apenas como uma hipótese inicial.

Pesquisadora alemã referência em tamanduás morre em queda de avião em Campo Grande
Foto: Redes sociais

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