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Pensamentos que não param: por que a mente entra em sobrecarga e o que fazer para retomar o equilíbrio

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Pensar faz parte do funcionamento natural da mente humana. O problema surge quando os pensamentos se acumulam de forma contínua, acelerada e repetitiva, dificultando o descanso mental e interferindo na rotina. Esse padrão é conhecido na psicologia como overthinking, termo usado para definir o pensamento excessivo e persistente, que muitas vezes não leva a soluções, mas amplia preocupações e desconfortos emocionais.

Enquanto algumas pessoas agem de maneira impulsiva, outras tendem a analisar cada detalhe, antecipar cenários e revisar mentalmente situações inúmeras vezes. Segundo a psicóloga Carrie Howard, em entrevista à revista Shape, pensar em excesso se torna prejudicial quando ocorre de forma automática e cíclica, sem pausas. Embora qualquer pessoa possa passar por esse processo em momentos pontuais, há indivíduos que apresentam maior predisposição a esse tipo de funcionamento mental.

De acordo com a psicóloga Carolyn Rubenstein, o overthinking compromete a capacidade de relaxar e dificulta o foco em tarefas simples do dia a dia. A mente permanece ocupada com preocupações, hipóteses e pensamentos repetitivos, o que favorece a exaustão mental, a sensação constante de alerta e o aumento da ansiedade. Em determinadas situações, esse ciclo se intensifica ainda mais quando a ansiedade e outras questões emocionais passam a alimentar o pensamento excessivo, contribuindo para a procrastinação e para dificuldades na tomada de decisões.

As causas do excesso de pensamentos nem sempre estão associadas a grandes problemas ou eventos traumáticos. Muitas vezes, o gatilho está na forma como situações comuns são interpretadas. A ansiedade é apontada como um dos principais fatores. Estados elevados de ansiedade tornam a mente mais propensa a antecipar riscos e consequências, criando um ciclo em que o pensamento excessivo reforça a ansiedade e vice-versa.

Outro elemento frequente é a necessidade de controle. Pessoas que buscam prever todos os cenários possíveis, mesmo aqueles que não dependem de suas ações, tendem a manter a mente constantemente ativa, revisitando possibilidades e tentando se preparar para qualquer desfecho. O perfeccionismo também exerce influência significativa. Indivíduos com padrões muito elevados costumam revisitar erros percebidos, falhas ou situações em que acreditam não ter correspondido às próprias expectativas, o que gera insatisfação contínua e autocrítica intensa.

Apesar de o pensamento excessivo parecer difícil de controlar, algumas estratégias simples podem ajudar a interromper esse padrão e reduzir seus impactos no dia a dia. Técnicas de atenção plena, conhecidas como mindfulness, estão entre as mais recomendadas por especialistas. A prática regular de meditação, por exemplo, possui respaldo científico e auxilia no direcionamento da atenção para o momento presente, diminuindo a tendência de a mente se prender a preocupações futuras ou a acontecimentos passados.

Uma das técnicas utilizadas nesse contexto é o método grounding 5, 4, 3, 2, 1, que estimula a percepção dos cinco sentidos. A proposta consiste em identificar conscientemente cinco coisas que podem ser vistas, quatro que podem ser tocadas, três que podem ser ouvidas, duas percebidas pelo olfato ou tato e uma relacionada ao paladar. Esse exercício ajuda a trazer a atenção para o agora e a reduzir a intensidade dos pensamentos repetitivos.

Outra alternativa é buscar atividades que redirecionem o foco mental. Caminhar observando o ambiente, prestar atenção em detalhes do percurso, como casas, árvores e sons ao redor, pode ser eficaz. Ler, conversar com alguém de confiança, praticar exercícios físicos ou dedicar tempo a atividades prazerosas também contribuem para quebrar o ciclo do pensamento excessivo.

Permanecer constantemente preso a pensamentos negativos ou hipotéticos não é saudável. Segundo Rubenstein, esse padrão afeta a forma como o cérebro regula emoções, sentimentos e até a memória. Quando o excesso de pensamentos se torna frequente e começa a interferir no bem-estar, no trabalho ou nas relações pessoais, a orientação é buscar apoio psicológico. O acompanhamento profissional permite compreender as causas do overthinking e desenvolver estratégias mais eficazes para lidar com a mente de forma equilibrada.

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