Encontrada uma pedra de 200 mil anos com a gravura rupestre mais antiga do mundo

Arqueólogos escavando o sítio de Coto Correa, no distrito de Las Chapas, em Marbella, sul da Espanha, descobriram um conjunto de gravuras rupestres que podem ser as mais antigas já conhecidas. Os registros são datados em mais de 200.000 anos, o que pode mudar significativamente nossa compreensão sobre a presença e as habilidades artísticas dos primeiros humanos na Europa.

A descoberta consiste em um bloco de pedra gravado com um padrão em forma de “X”. Simples à primeira vista, essa marcação pode representar um dos primeiros registros de comunicação gráfica humana. Se confirmada a idade do achado, ele seria mais de 100.000 anos mais antigo que qualquer outra expressão artística pré-histórica conhecida.

Pesquisadores já haviam escavado o local anteriormente e encontrado ferramentas de pedra datadas do início do Paleolítico. A presença dessas ferramentas reforça a hipótese de que populações humanas habitaram essa região durante o Paleolítico Médio Inferior, um período pouco documentado na Espanha.

O significado das gravuras e a evolução humana

As gravuras descobertas em Marbella indicam que os primeiros humanos possuíam a capacidade de expressão simbólica muito antes do que se pensava. Se autenticadas, essas marcações podem provar que nossos ancestrais desenvolveram formas de comunicação visuais e estruturadas milhares de anos antes da arte rupestre mais conhecida.

Estudos preliminares sugerem que essas gravuras podem ter sido feitas por Neandertais, ou possivelmente por uma das primeiras ondas de Homo sapiens que migraram da África para a Europa. A teoria de que os Neandertais eram incapazes de arte complexa pode ser colocada em cheque, abrindo novos caminhos para o estudo da evolução cognitiva humana.

Confirmação científica e novas investigações

Para garantir a precisão da datação, os cientistas estão utilizando técnicas avançadas de análise de quartzo em amostras de sedimentos retiradas do local. Os resultados permitirão determinar com maior exatidão a cronologia das gravuras.

Além disso, está em andamento uma digitalização 3D de alta resolução da rocha, permitindo uma análise detalhada de cada traço. Essa tecnologia viabilizará a reprodução virtual das marcações, ajudando os pesquisadores a interpretar os padrões e identificar possíveis intenções por trás dessas gravuras pré-históricas.

O impacto da descoberta na história da humanidade

Caso essa gravura seja confirmada como a mais antiga forma de arte rupestre conhecida, a Espanha se tornaria um epicentro para os estudos sobre a ocupação humana primitiva na Europa. O sítio de Coto Correa poderia se transformar em uma das mais importantes janelas para compreensão dos primeiros migrantes que habitaram o continente.

Além disso, essa descoberta pode mudar profundamente a maneira como percebemos a capacidade cognitiva dos nossos ancestrais. A ideia de que a expressão artística surgiu apenas em períodos mais recentes pode ser desafiada, mostrando que os primeiros humanos já buscavam representar ideias e conceitos de maneira visual há muito mais tempo do que se imaginava.

A descoberta das gravuras em Coto Correa pode ser um divisor de águas na arqueologia e na história da arte. Se confirmada a idade de mais de 200.000 anos, essa pode ser a evidência definitiva de que a expressão artística começou muito antes do que se acreditava.