Paraná reforça ações preventivas diante da previsão de El Niño no segundo semestre

Paraná reforça ações preventivas diante da previsão de El Niño no segundo semestre

Simepar e Defesa Civil intensificam monitoramento e orientações aos municípios diante da previsão de desenvolvimento do El Niño no inverno e primavera de 2026.

O Governo do Paraná intensificou as ações de monitoramento e prevenção diante da previsão de desenvolvimento do fenômeno climático El Niño ao longo do segundo semestre de 2026. O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) acompanha semanalmente a evolução das condições climáticas, enquanto a Defesa Civil Estadual reforça orientações às prefeituras para ações preventivas, treinamentos, simulados e acesso a recursos destinados à mitigação de impactos.

Segundo o meteorologista do Simepar, Reinaldo Kneib, o fenômeno é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, alterando padrões atmosféricos em diversas regiões do planeta. “O El Niño é o aquecimento das águas do Oceano Pacífico, o que favorece com que haja mais calor e umidade para formar tempestades na região equatorial e isso altera as condições dos ventos. Como é um grande sistema climatológico, muda a circulação em vários pontos do globo. Na América do Sul, favorece aumento no transporte de umidade e de calor da região Amazônica para o Sul do País. Historicamente ocorre mais seca no Norte do Brasil, e mais chuvas no Sul”, explicou.

Os prognósticos analisados pelo Simepar indicam que o inverno de 2026 terá temperaturas mais amenas em comparação ao ano anterior, com menor ocorrência de ondas de frio intenso. A previsão também aponta aumento das chuvas no segundo semestre, com precipitações mais persistentes e irregulares em todas as regiões do Paraná, especialmente na metade sul do Estado, historicamente mais afetada pelo fenômeno.

O Simepar e a Defesa Civil apresentaram nesta semana uma nota técnica orientativa sobre o cenário climático previsto. Conforme os dados analisados a partir de informações do Climate Prediction Center da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o El Niño deve começar a se desenvolver durante o inverno, com tendência de intensificação entre a primavera e o verão.

Em julho, técnicos do Simepar participarão de missão técnica junto à NOAA para fortalecer o intercâmbio de informações relacionadas ao monitoramento de eventos climáticos extremos. Especialistas da agência americana participaram recentemente de seminário promovido pelo Simepar sobre prevenção de tornados.

Paraná reforça ações preventivas diante da previsão de El Niño no segundo semestre

Com base nos prognósticos meteorológicos, a Coordenadoria Estadual da Defesa Civil realizou reunião com os 10 Núcleos de Atuação Regional para reforçar medidas preventivas nos municípios. Entre as orientações estão a revisão dos planos de contingência, atualização do mapeamento de áreas de risco para inundações e deslizamentos, desobstrução de galerias pluviais, dragagem de canais e monitoramento de encostas suscetíveis à movimentação de massa.

O coordenador estadual da Defesa Civil do Paraná, coronel Fernando Schunig, afirmou que a atenção está concentrada especialmente nas regiões com histórico de ocorrências associadas ao excesso de chuva. “A preparação está sendo feita em todo estado, em especial naqueles locais que tradicionalmente sofrem com enxurradas, enchentes ou deslizamentos. No Litoral, a prefeitura de Morretes realizou um simulado de desastre e Antonina prepara um exercício que deve acontecer ainda esse mês. Essas ações têm o nosso apoio, são essenciais para os gestores e a comunidade saber como se preparar, mitigar os riscos e qual o momento certo de agir”, declarou.

O chefe do Centro de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cegerd), major Anderson Gomes, afirmou que ainda não é possível determinar quais regiões poderão sofrer os maiores impactos. “Certamente teremos situações de anormalidade, mas por hora não é possível prever qual será a região mais vulnerável nem a magnitude que o fenômeno vai acrescentar às condições já esperadas para cada estação, em especial na primavera. Atuamos em conjunto com o Simepar que nos fornece os dados utilizados para definir estratégias junto aos municípios, além do envio de alertas à população”, afirmou.

O Fundo Estadual para Calamidade Pública (Fecap) também permanece disponível para apoio a projetos municipais. Nos últimos sete meses, foram destinados R$ 16,2 milhões para obras preventivas em Londrina, Guaratuba e Espigão Alto do Iguaçu, incluindo drenagem urbana e construção de pontes rurais.

Segundo Schunig, os recursos estão disponíveis para municípios que apresentarem projetos compatíveis com áreas de risco recorrente. “Nós asseguramos os valores para as obras de prevenção em áreas de prevenção. Basta a prefeitura encaminhar o projeto, os nossos técnicos analisam o pedido e cruzam com a base de dados do Sistema Informatizado de Defesa Civil. Havendo reincidência de ocorrências que trazem riscos à população ou causam prejuízos, damos início ao processo para a transferência”, explicou.

A Defesa Civil também iniciou a maior capacitação de voluntários já realizada no Estado. Mais de 3 mil pessoas participam do processo de formação e poderão atuar em situações de emergência após a conclusão dos módulos previstos até o início de junho.

Na área de monitoramento meteorológico, o Simepar iniciou o processo de contratação de novos meteorologistas e avançou nos projetos Monitora Paraná e Monitora Litoral, que incluem aquisição de radares meteorológicos e boias oceanográficas com apoio do Instituto Água e Terra (IAT) e da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável.

O secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável, Everton Souza, afirmou que os investimentos têm como objetivo ampliar a capacidade de prevenção e alerta. “Estamos reforçando bastante a questão da previsão. Nós temos um programa chamado Monitora Paraná que, através de novos radares, vai orientar a população a se precaver em determinadas situações de risco, junto com o trabalho de alerta da Defesa Civil. Além disso, também temos programa de parques urbanos para municípios que têm problema na drenagem urbana”, disse.

Os novos radares meteorológicos adquiridos pelo Estado utilizam tecnologia Doppler de dupla polarização. Os equipamentos serão instalados em municípios como Campo Magro, Jandaia do Sul e Pontal do Paraná, ampliando a cobertura e a precisão do monitoramento climático em diferentes regiões.

Além disso, o Simepar já abriu edital para aquisição de mais três radares meteorológicos. Um deles substituirá o equipamento atualmente instalado em Teixeira Soares, em operação há mais de 30 anos.

O monitoramento da Defesa Civil funciona de forma ininterrupta, com apoio técnico de meteorologistas do Simepar. O Centro Estadual de Gerenciamento de Riscos e Desastres acompanha permanentemente as condições climáticas e realiza emissão de alertas em situações severas.

Os alertas podem ser recebidos gratuitamente pela população por SMS, mediante envio do CEP para o número 40199, ou por WhatsApp, por meio do número 61 2034-2611.

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