A estreia de Pânico 7 nos cinemas brasileiros ocorre em meio a um cenário incomum até mesmo para uma franquia acostumada a reviravoltas. O sétimo filme da saga de terror chega às telonas cercado por controvérsias nos bastidores, mudanças de elenco e reformulações que alteraram significativamente o rumo da história.
O que deveria ser apenas mais um capítulo da renovação iniciada nos filmes anteriores acabou se transformando em um projeto reconstruído quase do zero. A sucessão de acontecimentos nos últimos meses colocou o longa no centro de debates nas redes sociais e reacendeu discussões sobre liberdade de expressão, posicionamentos políticos e decisões de estúdios.
Demissão de Melissa Barrera
A primeira grande ruptura ocorreu quando Melissa Barrera, protagonista dos dois filmes anteriores, foi desligada do projeto. A decisão do estúdio aconteceu após declarações públicas da atriz sobre o conflito no Oriente Médio. Em comunicado, a produtora afirmou adotar política de tolerância zero contra manifestações consideradas antissemitas.
Com a saída de Barrera, o arco da personagem Sam Carpenter — que vinha conduzindo a nova fase da franquia — foi encerrado de forma abrupta. A repercussão foi imediata, dividindo opiniões entre fãs e ampliando a pressão sobre o estúdio.
Saída de Jenna Ortega
Pouco depois, Jenna Ortega também deixou o elenco. Inicialmente atribuída a conflitos de agenda, a decisão ganhou novos contornos quando a atriz indicou que o cenário criativo havia mudado após as demissões. Ortega e Barrera haviam liderado os capítulos anteriores, sendo responsáveis por atrair uma nova geração ao universo da saga.
A perda das duas protagonistas representou um desafio narrativo significativo, obrigando a equipe a repensar o centro da trama.
Direção reformulada e retorno às origens
Outra mudança importante foi a saída do diretor Christopher Landon. Ele declarou que o projeto, inicialmente encarado como uma oportunidade profissional marcante, tornou-se um processo turbulento, especialmente após as controvérsias envolvendo o elenco.
Para reorganizar a produção, o estúdio recorreu a Kevin Williamson, roteirista do filme original de 1996 e criador da franquia. Pela primeira vez, ele assumiu a direção do longa e desenvolveu um novo roteiro ao lado de Guy Busick, descartando a proposta anterior.
A reformulação abriu espaço para o retorno de Neve Campbell como Sidney Prescott, personagem central da saga clássica. Ausente no sexto filme por questões contratuais, a atriz volta a ocupar posição de destaque na narrativa. Courteney Cox também retorna como Gale Weathers.
Nova trama e reação do público
No enredo reformulado, Sidney tenta manter distância dos traumas do passado, mas volta a enfrentar ameaças quando um novo Ghostface surge e coloca sua família em risco. A escolha de resgatar a protagonista original foi vista por parte do público como tentativa de reconectar o filme às raízes da franquia.
Ainda assim, movimentos de boicote surgiram nas redes sociais em apoio a Melissa Barrera. O clima de polarização adiciona um elemento extra à estreia, que agora depende não apenas do apelo nostálgico, mas também da capacidade de reconquistar a confiança do público.
Bilheteria sob expectativa
Apesar das turbulências, Pânico 7 chega às salas de cinema com expectativa comercial relevante. A franquia mantém base fiel de fãs e histórico consistente de bilheteria. A grande questão é se as controvérsias influenciarão o desempenho financeiro ou se o retorno de personagens clássicos será suficiente para garantir novo fôlego à saga.
Entre demissões, trocas criativas e debates públicos, o filme estreia como um dos capítulos mais comentados fora das telas. Resta saber se o suspense maior estará na narrativa do novo Ghostface ou na reação do público diante de um projeto reconstruído em meio à tempestade.
LEIA MAIS: O ressurgimento do vinil: nostalgia sonora ou qualidade de áudio superior?




