Poucos autores contemporâneos despertam reações tão intensas quanto Stephen King, especialmente quando o assunto são os desfechos de suas obras. Considerado um mestre do suspense, do terror e do drama psicológico, King construiu universos complexos, personagens memoráveis e tramas envolventes que prendem o leitor até a última página. No entanto, é justamente nesse momento final que parte do público se sente traída, enquanto outra parte enxerga ousadia, simbolismo e coragem narrativa. A pergunta persiste ao longo das décadas: os finais de Stephen King são geniais ou simplesmente frustrantes?
Stephen King nunca escondeu que sua escrita é guiada pelos personagens e não por um roteiro rígido. Em entrevistas e ensaios, o autor afirma que muitas histórias se desenvolvem organicamente, sem um final previamente definido. Esse método confere espontaneidade e autenticidade às narrativas, mas também explica por que alguns desfechos parecem abruptos ou menos espetaculares do que o leitor espera após centenas de páginas de tensão crescente. Para King, o percurso emocional costuma ser mais importante do que a resolução em si.
Finais que dividiram leitores e crítica
Alguns livros se tornaram símbolos dessa controvérsia. Em “It: A Coisa”, o confronto final contra Pennywise decepcionou leitores que esperavam algo mais épico, enquanto outros defendem a escolha como coerente com o tom simbólico da obra. Já em “Sob a Redoma”, o encerramento surpreendeu negativamente parte do público, que considerou a explicação simplista diante da complexidade do enredo. Ainda assim, há quem veja nesses finais uma crítica social disfarçada, mais preocupada com o comportamento humano do que com soluções grandiosas.
Para muitos admiradores, os finais polêmicos não diminuem o impacto das histórias. Em obras como “O Iluminado” ou “Misery”, o desfecho é menos lembrado do que a construção psicológica dos personagens e a atmosfera opressiva criada ao longo da narrativa. Nesse sentido, King se aproxima de uma tradição literária em que o clímax não está necessariamente no último capítulo, mas na experiência emocional acumulada pelo leitor.

Finais elogiados que mostram outra face do autor
Apesar da fama controversa, Stephen King também entregou finais amplamente elogiados. “À Espera de um Milagre” é frequentemente citado como um encerramento sensível e poderoso, capaz de emocionar leitores de diferentes gerações. “11/22/63” surpreendeu positivamente ao unir romance, ficção científica e melancolia em um desfecho considerado maduro e coerente. Esses exemplos mostram que o autor é plenamente capaz de criar finais impactantes quando a história exige.
Parte da frustração com os finais de Stephen King está ligada às expectativas criadas pelo próprio tamanho de suas obras e pela intensidade de suas tramas. Quanto maior a promessa, maior a cobrança. O leitor, após investir tempo e emoção, espera uma resolução que esteja à altura do percurso. Quando isso não acontece de forma convencional, o sentimento de insatisfação surge, mesmo que o final seja fiel à proposta narrativa.
Conclusão
Os finais de Stephen King continuam provocando discussões apaixonadas porque desafiam expectativas e recusam soluções fáceis. Entre genialidade e frustração, o autor opta por permanecer fiel ao que considera essencial: personagens críveis, conflitos humanos e histórias que ecoam além da última página. Gostando ou não de seus desfechos, é inegável que eles fazem parte do legado de um escritor que nunca teve medo de arriscar, mesmo quando sabia que dividiria opiniões.
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