Os segredos por trás da inatividade de mais de 100 vulcões na Antártica

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Quando pensamos na Antártica, é comum visualizarmos um vasto horizonte coberto de neve, um cenário gélido e aparentemente pacífico. No entanto, por trás dessa imagem idílica reside um segredo fascinante e, para muitos, surpreendente: a presença de uma miríade de vulcões. Embora não seja o primeiro pensamento que nos ocorre ao contemplar essa região remota, a Antártica abriga uma impressionante quantidade de vulcões, revelando-se como a maior área vulcânica da Terra, com pelo menos 138 dessas estruturas majestosas espalhadas pelo continente.

A descoberta desses vulcões, em grande parte, é um fenômeno recente. Surpreendentemente, mais de 90 deles foram identificados apenas em 2017, graças a um estudo publicado na Geological Society. Essa revelação desafiou nossa compreensão anterior da geologia antártica e levantou uma série de questões intrigantes sobre a atividade vulcânica em um ambiente tão inóspito.

Uma das indagações mais pertinentes é se esses vulcões podem entrar em erupção sob as condições extremas da Antártica. A resposta, conforme os geologistas explicam, é complexa e varia de acordo com cada vulcão específico. Dos 138 vulcões identificados, apenas dois foram oficialmente classificados como ativos: o vulcão da Ilha Decepção e o imponente Monte Érebo, o pico mais alto do continente antártico.

vulcões

O Monte Érebo, em particular, tem sido um foco de interesse para os cientistas. Desde 1972, este vulcão tem exibido uma atividade contínua, lançando gás, vapor e fragmentos de rocha em eventos conhecidos como erupções estrombolianas. O destaque deste vulcão é um lago de lava perene, uma visão rara que desafia as condições congelantes da região.

Por outro lado, o vulcão da Ilha Decepção tem uma história diferente. Sua última erupção registrada remonta a 1970, e desde então tem permanecido dormente. No entanto, mesmo os vulcões considerados inativos podem representar um perigo devido à presença de fumarolas, aberturas na crosta terrestre que emitem uma variedade de gases tóxicos, incluindo dióxido de carbono, dióxido de enxofre e ácido hidroclórico.

O monitoramento dessas estruturas vulcânicas na Antártica é um desafio monumental. Com equipamentos limitados e as adversidades climáticas extremas, os cientistas enfrentam dificuldades significativas para prever a atividade vulcânica com precisão. Embora os avanços na tecnologia e o aumento do interesse na região possam proporcionar mais recursos para essa tarefa árdua, a vigilância constante continua sendo essencial para entender e mitigar os riscos associados aos vulcões antárticos.

À medida que desvendamos os segredos ocultos sob o gelo da Antártica, somos lembrados da complexidade e da imprevisibilidade da natureza. Os vulcões, esses gigantes adormecidos, são testemunhas silenciosas da dinâmica incessante da Terra, desafiando nossas noções preconcebidas e instigando-nos a explorar os mistérios profundos de nosso planeta.

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