Quando se fala em produção de oxigênio, a imagem que costuma vir à mente é a de florestas densas, especialmente a Amazônia, frequentemente chamada de “pulmão do mundo”. No entanto, a ciência mostra um cenário diferente e surpreendente: a maior parte do oxigênio que respiramos não vem das árvores, mas sim dos oceanos. Invisível a olho nu, esse processo ocorre de forma contínua e silenciosa, sustentando a vida no planeta muito além do que se imagina.
O verdadeiro motor da produção de oxigênio no planeta
Estudos científicos indicam que mais de metade do oxigênio liberado na atmosfera tem origem nos oceanos. Esse papel fundamental é desempenhado principalmente pelo fitoplâncton, um conjunto de micro-organismos que vive nas camadas superficiais do mar. Assim como as plantas terrestres, essas algas microscópicas realizam fotossíntese, utilizando a luz solar, o gás carbônico e a água para produzir energia e liberar oxigênio.
Apesar de ocupar um espaço invisível aos nossos olhos, o fitoplâncton cobre extensas áreas oceânicas e se renova rapidamente, o que explica sua enorme capacidade de produção. Em termos de impacto global, ele supera qualquer floresta individualmente considerada.
Fitoplâncton
O fitoplâncton é formado por diferentes tipos de algas microscópicas e bactérias fotossintetizantes. Esses organismos estão na base da cadeia alimentar marinha e sustentam desde pequenos peixes até grandes baleias. Ao mesmo tempo, exercem um papel crucial na regulação do clima, ajudando a absorver grandes quantidades de dióxido de carbono da atmosfera.
Esse equilíbrio natural mantém a composição do ar estável e contribui para a manutenção das condições que permitem a vida na Terra. Sem o fitoplâncton, a quantidade de oxigênio disponível diminuiria drasticamente ao longo do tempo.

Florestas também são essenciais, mas cumprem outro papel
Embora o oceano produza mais oxigênio, isso não diminui a importância das florestas. Ecossistemas terrestres desempenham funções igualmente vitais, como a conservação da biodiversidade, a regulação do ciclo da água e a proteção do solo. Além disso, as florestas funcionam como grandes reservatórios de carbono, ajudando a reduzir os impactos das mudanças climáticas.
A diferença está na dinâmica: enquanto as florestas produzem oxigênio e também o consomem em processos naturais, como a respiração e a decomposição, os oceanos mantêm um balanço mais favorável à liberação líquida de oxigênio na atmosfera.
A produção de oxigênio pelos oceanos está diretamente ligada à estabilidade climática do planeta. Correntes marítimas, temperatura da água e disponibilidade de nutrientes influenciam a saúde do fitoplâncton. Alterações causadas pelo aquecimento global, pela poluição e pela acidificação dos mares ameaçam esse sistema delicado.
Quando os oceanos adoecem, toda a cadeia de produção de oxigênio e absorção de carbono é afetada, com impactos diretos na qualidade do ar, no clima e na vida humana.
Entender que o oceano produz mais oxigênio que as florestas amplia nossa percepção sobre o funcionamento do planeta e reforça a importância de olhar para além do que é visível. Árvores e mares não competem entre si; eles se complementam em um sistema complexo e interdependente. Proteger ambos é proteger o ar que respiramos, o clima que nos sustenta e o futuro da vida na Terra.
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