Cenas de ação, explosões e acidentes fazem parte da rotina de grandes produções do cinema. Em muitos casos, a destruição é planejada e prevista no roteiro. Em outros, o prejuízo ocorre de forma inesperada, envolvendo objetos raros, equipamentos caros, peças históricas e até obras de arte avaliadas em milhões de dólares.
O Fugitivo: um trem e um ônibus
O filme O Fugitivo, lançado em 1993, ficou marcado por uma das cenas de acidente mais conhecidas do cinema. A sequência em que um trem atinge um ônibus foi gravada com veículos reais, sem depender exclusivamente de efeitos visuais. A produção utilizou um trem e um ônibus de verdade para dar maior impacto à cena. O custo estimado da sequência chegou a cerca de US$ 1,5 milhão.
Bad Boys II: uma mansão
Em Bad Boys II, de 2003, a destruição envolveu uma mansão avaliada em aproximadamente US$ 16,5 milhões. O imóvel já seria demolido pelo proprietário, que pretendia usar a área para outro empreendimento. A produção aproveitou a situação e incorporou a demolição ao filme, transformando a destruição real em parte da sequência de ação.
Os Oito Odiados: um violão Martin de 145 anos
Um dos casos mais comentados ocorreu nas gravações de Os Oito Odiados, de 2015. Durante uma cena, Kurt Russell quebrou um violão Martin fabricado na década de 1870. A produção tinha uma réplica para ser usada no momento da destruição, mas o instrumento original acabou sendo utilizado por engano.
A atriz Jennifer Jason Leigh havia aprendido a tocar com o violão e chegou a demonstrar interesse em comprá-lo após o fim das filmagens. O Museu Martin, responsável pelo empréstimo do instrumento, informou depois que não voltaria a emprestar peças históricas para produções cinematográficas. O episódio se tornou um dos maiores alertas sobre o uso de objetos originais em cenas de risco.
007 — Operação Skyfall: uma loja centenária no Grande Bazar
Em 007 — Operação Skyfall, lançado em 2012, uma cena de perseguição de moto no Grande Bazar, em Istambul, terminou com danos em uma joalheria histórica. Durante a gravação, um dublê perdeu o controle da moto e atingiu a estrutura de uma loja com mais de três séculos de existência. Segundo o proprietário, os reparos foram complexos e caros.
Batman — O Cavaleiro das Trevas: uma câmera IMAX
Christopher Nolan também enfrentou prejuízos durante a produção de Batman — O Cavaleiro das Trevas, de 2008. Em uma sequência de alta velocidade, uma câmera IMAX foi destruída durante a gravação. O equipamento era avaliado em cerca de US$ 500 mil e, além do alto custo, era extremamente raro. Na época, havia poucas unidades disponíveis no mundo.
Batman — O Cavaleiro das Trevas Ressurge: outra câmera IMAX
Anos depois, em Batman — O Cavaleiro das Trevas Ressurge, de 2012, outra câmera IMAX foi danificada durante as filmagens. O acidente ocorreu em uma cena com a Mulher-Gato, quando a personagem saía de um prédio pilotando uma moto. O veículo atingiu o equipamento, que foi arrancado das mãos do cinegrafista.
Con Air — A Rota da Fuga: o Sands Casino
Em Con Air — A Rota da Fuga, de 1997, a produção usou a demolição real do Sands Casino, em Las Vegas, para uma das cenas mais lembradas do filme. O cassino já havia sido parcialmente desativado para dar lugar a outro empreendimento. Os produtores conseguiram autorização para registrar parte da destruição, que foi incorporada à sequência em que um avião atinge a região do cassino.

The Outlaws: uma obra de Banksy
Na série The Outlaws, da BBC, lançada em 2021, Christopher Walken aparece destruindo uma obra de Banksy. Na cena, o personagem limpa um centro comunitário vandalizado e acaba pintando por cima da arte. A obra havia sido criada pelo próprio Banksy para a produção e foi feita justamente para ser destruída. Mesmo assim, foi avaliada em mais de US$ 12 milhões.
O Mestre: um banheiro histórico
Em O Mestre, de 2012, Joaquin Phoenix quebrou um banheiro durante uma cena em uma cela de prisão. O ator afirmou posteriormente que não tinha intenção de destruir o objeto e que não imaginava que aquilo fosse possível. O detalhe é que o banheiro não era uma peça comum de cenário, mas um item histórico, com vaso de porcelana.
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Blade: Trinity: uma câmera de US$ 300 mil
Em Blade: Trinity, lançado em 2004, Jessica Biel protagonizou um acidente caro durante uma cena de arco e flecha. A atriz precisava atirar em direção a uma câmera, mas acertou o equipamento com precisão. O resultado foi a destruição de uma câmera avaliada em cerca de US$ 300 mil.
Velozes e Furiosos 7: nove carros Lykan Hypersport
A franquia Velozes e Furiosos é conhecida pela destruição de veículos em grande escala, mas Velozes e Furiosos 7, de 2015, levou essa característica a outro nível. Durante a produção, nove carros Lykan Hypersport preparados para cenas de ação foram destruídos. Embora fossem versões usadas para manobras, os veículos representavam um custo elevado e reforçaram a fama da franquia em sequências de alto impacto.
Twister: quadras da cidade de Wakita
Em Twister, de 1996, parte da destruição foi filmada na cidade de Wakita, em Oklahoma. A produção levou casas para o local e também adquiriu estruturas que já haviam sido danificadas por uma tempestade de granizo ocorrida anos antes. As construções foram destruídas durante as gravações, e parte da cidade acabou sendo reconstruída depois, beneficiando moradores da região.
O Sacrifício: uma casa inteira
No filme O Sacrifício, de 1986, dirigido por Andrei Tarkovsky, uma casa inteira foi incendiada para uma cena. A destruição fazia parte do planejamento, mas a primeira gravação não saiu como esperado por falhas no registro das câmeras. A solução foi reconstruir a casa e incendiá-la novamente, o que elevou o custo da produção.
A General: uma locomotiva
Um dos exemplos mais antigos ocorreu em A General, filme mudo de 1923 estrelado por Buster Keaton. A produção destruiu uma locomotiva real em uma cena em que o trem atravessa uma ponte em chamas e cai no rio. Na época, sem os recursos digitais usados atualmente, a sequência precisou ser filmada de forma prática. O custo foi estimado em US$ 42 mil, valor equivalente a centenas de milhares de dólares atualmente.
Esses casos mostram que o cinema nem sempre depende apenas de efeitos visuais para criar cenas de impacto. Em diferentes épocas, produções destruíram objetos reais, prédios, veículos, equipamentos raros e itens históricos, seja por planejamento, acidente ou falha de comunicação nos bastidores.
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Apaixonada pela literatura brasileira e internacional, Heloísa Montagner Veroneze é reatora de artigos locais e regionais, com experiência em temas diversos, especialmente sobre livros, arqueologia e curiosidades.
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