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Por que o som da mastigação parece mais alto para quem mastiga?

O barulho que incomoda mais dentro da própria cabeça

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A sensação de estar mastigando alto demais é comum e tem explicação científica. Durante a mastigação, as vibrações se propagam pelos ossos do crânio e chegam ao ouvido interno por condução óssea, além do som transmitido pelo ar. O cérebro interpreta essa combinação como mais intensa, criando a impressão de amplificação. O fenômeno mostra como a percepção auditiva é subjetiva e influenciada pelo próprio corpo.

O sistema auditivo humano não capta apenas sons vindos do ambiente. Ele também registra vibrações internas produzidas pelo próprio corpo.

Durante a mastigação, músculos da mandíbula, dentes e ossos da face geram pequenas vibrações que percorrem a estrutura óssea do crânio. Esse processo é conhecido como condução óssea.

Condução aérea e condução óssea

Normalmente, os sons que ouvimos chegam ao ouvido por condução aérea. As ondas sonoras viajam pelo ar, entram pelo canal auditivo e fazem vibrar o tímpano.

No caso da mastigação, além da condução aérea — que permite que outras pessoas ouçam o som — ocorre também a condução óssea. As vibrações atravessam diretamente os ossos da cabeça e atingem a cóclea, estrutura do ouvido interno responsável por transformar vibrações em impulsos nervosos.

Esse caminho adicional faz com que o som seja percebido de forma mais intensa e mais próxima.

É como se o barulho estivesse acontecendo dentro da própria cabeça — e, de certa forma, está.

O papel do cérebro na amplificação

O cérebro integra as informações vindas de diferentes vias auditivas. Quando recebe simultaneamente o som externo e a vibração interna, interpreta a soma como maior intensidade.

Essa percepção é semelhante ao que ocorre quando ouvimos nossa própria voz gravada. Ao falar, escutamos parte do som por condução óssea. Quando ouvimos a gravação, percebemos apenas a condução aérea — e estranhamos o resultado.

A mastigação segue lógica parecida.

O ruído que parece alto para quem mastiga é, na verdade, combinação de som externo e vibração interna amplificada.

Textura dos alimentos e intensidade sonora

Alimentos crocantes, como maçã, torrada ou batata frita, produzem vibrações mais intensas. A quebra da estrutura rígida gera estalos que reverberam pelo crânio.

Já alimentos macios produzem menos ruído interno.

A percepção também varia de pessoa para pessoa. Indivíduos com maior sensibilidade auditiva podem notar os sons internos com mais intensidade.

Condições como misofonia — transtorno caracterizado por aversão intensa a certos sons — podem ampliar o desconforto.

Por que os outros ouvem menos?

Quem está ao redor percebe apenas o som transmitido pelo ar. Esse ruído perde energia à medida que se dispersa no ambiente.

Sem a condução óssea, a intensidade percebida é significativamente menor.

Além disso, o cérebro tende a filtrar sons repetitivos ou previsíveis, reduzindo a atenção consciente ao barulho da mastigação alheia.

A percepção auditiva é seletiva e contextual.

Relação com o ouvido interno

O ouvido interno desempenha papel central nesse fenômeno. A cóclea converte vibrações em sinais elétricos que seguem para o cérebro.

Quando recebe estímulos simultâneos por vias diferentes, pode ocorrer sensação de reforço sonoro.

Esse mecanismo não se limita à mastigação. Sons produzidos pelo próprio corpo, como respiração, batimentos cardíacos ou estalos articulares, também podem parecer mais evidentes internamente.

Em ambientes muito silenciosos, essas percepções tendem a se intensificar.

O efeito do silêncio ambiental

Em locais silenciosos, como bibliotecas ou salas de estudo, o contraste entre o silêncio externo e o som interno se torna mais perceptível.

Sem ruídos ambientais competindo pela atenção auditiva, a mastigação parece ainda mais alta.

O cérebro, privado de estímulos externos, passa a notar detalhes antes ignorados.

Essa amplificação contextual contribui para a sensação de exagero.

Ciência da percepção sonora

A percepção do volume não depende apenas da intensidade física do som, medida em decibéis. Ela também envolve interpretação cognitiva.

O cérebro avalia proximidade, frequência e familiaridade.

Sons internos são percebidos como extremamente próximos — literalmente dentro da cabeça.

Isso altera a interpretação subjetiva do volume.

Quando o fenômeno pode indicar algo mais

Em situações raras, percepção exagerada de sons internos pode estar associada a alterações no ouvido médio ou interno.

Condições como hipersensibilidade auditiva ou problemas na tuba auditiva podem modificar a condução sonora.

No entanto, para a maioria das pessoas, a sensação de mastigação “alta demais” é completamente normal.

É resultado da arquitetura do sistema auditivo humano.

Uma experiência auditiva universal

Quase todos já notaram esse contraste em algum momento.

O fenômeno revela como a experiência sensorial é construída pelo cérebro.

A mastigação não muda. O que muda é a forma como o som chega aos nossos ouvidos.

É um lembrete de que percepção não é sinônimo de realidade objetiva.

O que parece alto para você pode ser discreto para quem está ao lado.

O som que ecoa por dentro

O barulho da mastigação parece mais alto para quem mastiga por causa da condução óssea. Vibrações percorrem os ossos do crânio e chegam ao ouvido interno. O cérebro soma essas vibrações ao som transmitido pelo ar. O resultado é sensação de amplificação. Alimentos crocantes intensificam o efeito. Ambientes silenciosos aumentam a percepção. Para os outros, o som é bem menos intenso. E a ciência mostra que nossa audição é tão subjetiva quanto surpreendente.

Por que o som da mastigação parece mais alto para quem mastiga?

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