Um raio é uma das manifestações mais intensas da natureza. Trata-se de uma descarga elétrica extremamente potente, resultado do acúmulo e da diferença de cargas elétricas entre nuvens ou entre a nuvem e o solo, fenômeno comum durante tempestades com chuva forte. Embora pareça raro, o Brasil está entre os países com maior incidência de raios no mundo, o que torna fundamental compreender os riscos e saber como agir em situações de perigo.
A probabilidade de uma pessoa ser atingida por um raio depende de fatores como localização geográfica, exposição ao ar livre durante temporais e comportamentos de risco, como buscar abrigo em locais inadequados. Mesmo quando a descarga não é diretamente sobre a vítima, ela pode sofrer os efeitos por meio do chamado “efeito lateral”, quando a energia se propaga por objetos ou superfícies próximas.
As consequências no organismo humano podem ser graves e, em alguns casos, fatais. A taxa de sobrevivência está diretamente relacionada à rapidez do socorro médico e à gravidade das lesões. Ainda assim, mesmo sobrevivendo, muitas vítimas ficam com sequelas físicas e neurológicas.

Quando a corrente elétrica do raio atravessa o corpo, ocorre uma combinação de efeitos elétricos, térmicos e mecânicos. A descarga dura apenas milissegundos, mas é suficiente para provocar alterações profundas no funcionamento do organismo.
A principal causa de morte entre vítimas de raios está associada à parada cardiorrespiratória. Cerca de 10% das pessoas atingidas não resistem porque o coração e a respiração são interrompidos no momento da descarga. Mesmo que o coração volte a bater espontaneamente, se a respiração não for restabelecida rapidamente, o cérebro pode sofrer por falta de oxigenação, provocando uma nova parada cardíaca.
Além disso, há o risco de comprometimento neurológico. A corrente elétrica pode afetar o sistema nervoso central, causando perda de consciência, convulsões, desorientação e, em casos mais graves, danos permanentes ao cérebro.
As queimaduras também são frequentes. Apesar do contato ser muito rápido, a temperatura do raio é extremamente elevada, podendo provocar lesões na pele e, em situações menos comuns, atingir tecidos internos.
O corpo fica eletrificado após ser atingido?
Uma dúvida comum é se a vítima de um raio continua carregada eletricamente após o impacto. A resposta é não. A descarga elétrica passa pelo corpo de forma instantânea e não permanece acumulada.
No entanto, é possível que outras pessoas sejam atingidas indiretamente se estiverem muito próximas de um objeto que recebeu a descarga, devido às chamadas descargas laterais. Fora isso, não há risco em tocar ou prestar socorro à vítima.
Pelo contrário, a ajuda imediata pode ser decisiva. A recomendação é retirar a pessoa da área de risco, verificar sinais vitais e acionar o Corpo de Bombeiros pelo número 193 o mais rápido possível.

Como se proteger durante tempestades com raios
A melhor forma de evitar acidentes é buscar abrigo ao primeiro sinal de tempestade elétrica. O local mais seguro é dentro de construções fechadas e estruturadas, como casas, prédios e estabelecimentos comerciais.
Outra alternativa segura é permanecer dentro de veículos com carroceria metálica fechada. Nesses casos, é importante manter as janelas fechadas e evitar contato com partes metálicas do interior do carro.
Dentro de casa, alguns cuidados também são necessários. Deve-se evitar o uso de equipamentos ligados à rede elétrica, afastar-se de portas e janelas metálicas, não manusear tomadas e evitar banhos durante a tempestade.
Locais abertos representam grande perigo. Nunca se deve procurar abrigo sob árvores isoladas, pois elas funcionam como para-raios naturais. Também é fundamental sair imediatamente de piscinas, rios, lagos, praias e qualquer área com água.
Em campos abertos, a orientação é manter distância de objetos altos ou condutores de eletricidade, como cercas de arame, postes, tratores, varais metálicos e estruturas elevadas.
Compreender como os raios agem e adotar medidas preventivas pode fazer a diferença entre a vida e a morte. Em um país com alta incidência desse fenômeno natural, a informação é uma ferramenta essencial de proteção.
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