O misterioso naufrágio de 128 anos que ressurge para tirar o sono dos cientistas

A resposta é uma descoberta arrebatadora que desafia tanto o tempo quanto a natureza. Yvonne Drebert e Zach Melnick, junto com sua equipe da Inspired Planet Productions, descobriram um naufrágio de 128 anos no fundo do Lago Huron, em Ontário, Canadá. Eles acreditam que o navio seja o África, desaparecido com sua tripulação em 1895.

A descoberta foi possível graças a uma combinação única de tecnologia moderna e uma pista vinda de uma fonte improvável: cientistas que estudavam peixes.

Melnick explicou que a equipe recebeu uma dica de cientistas que realizavam um levantamento de peixes offshore e que haviam identificado uma anomalia em seu sonar. “Basicamente, era um inchaço incomum em um leito de lago aparentemente plano”, disse ele. Esta pista os levou ao local da descoberta durante as filmagens do documentário “All Too Clear” da TVOntario.

Documentário com duplo foco

O filme, segundo a CBC News, tem como tema principal os danos ecológicos causados por mexilhões invasores nos Grandes Lagos, soltos ali há mais de três décadas. Esses mexilhões, ironicamente, seriam os mesmos que encobririam o naufrágio descoberto, criando uma camada adicional de mistério e significado à expedição.

Na tarde em que o naufrágio foi localizado, as águas do lago estavam agitadas e o clima a bordo era sombrio. Melnick pilotou o drone subaquático do casal, o Boxfish Luna, de uma estação de controle no barco. Isso permitiu à equipe assistir a tudo em tempo real. “Estávamos lá embaixo por apenas alguns minutos quando uma estrutura enorme surgiu das profundezas”, disse Drebert.

navio submerso

O ecossistema alterado

Identificar o navio não foi tarefa fácil. Ele estava encrustado de mexilhões-zebra invasores, os mesmos moluscos que são tema do documentário. Drebert destacou a clareza das águas causada por esses mexilhões, que filtram os lagos tornando-os até três vezes mais limpos. “Eles dificultam a identificação de naufrágios, mas ao mesmo tempo permitiram que notássemos o navio sem luz adicional”, disse ela.

Para finalizar a identificação, a equipe contou com o historiador marítimo local Patrick Folkes e a arqueóloga marinha Scarlett Janusas. Em uma nova expedição, voltaram ao local para realizar mais filmagens e medições.

A descoberta do que se acredita ser o navio África no Lago Huron é mais do que uma proeza arqueológica; ela é um fascinante cruzamento de tecnologia, história e preocupações ecológicas. A missão original da filmagem, que era documentar os danos ambientais nos Grandes Lagos, encontrou uma trama paralela em um mistério de mais de um século de idade.

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O evento ressalta como a ciência moderna pode desempenhar um papel inesperado na resolução de mistérios antigos, e como esses mistérios, por sua vez, podem lançar uma nova luz sobre crises ambientais atuais. Nesse caso, os mexilhões-zebra invasores, vilões ecológicos do documentário, tornaram-se os catalisadores involuntários de uma descoberta histórica monumental. É uma história que somente poderia ter sido contada através da confluência de curiosidade humana, inovação tecnológica e o eterno mistério do mundo natural.

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