As novas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos podem abrir caminho para um aumento nas exportações de Santa Catarina. Enquanto países como China e México enfrentam taxas de até 49%, o Brasil foi taxado em apenas 10%, tornando seus produtos mais competitivos no mercado norte-americano. A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) avalia a medida como uma oportunidade estratégica para o estado.
Santa Catarina pode expandir participação no mercado dos EUA
De acordo com o presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar, a diferença nas alíquotas pode beneficiar as exportações catarinenses, uma vez que concorrentes internacionais passarão a ter custos mais elevados para acessar os Estados Unidos.
Em 2024, Santa Catarina exportou US$ 1,74 bilhão (aproximadamente R$ 9,99 bilhões) para os EUA, com destaque para produtos manufaturados, como itens de madeira, motores elétricos, componentes automotivos e cerâmica. Com a nova tarifa, a tendência é que empresas catarinenses fortaleçam suas presenças no mercado americano.
Guerra comercial pode favorecer Santa Catarina na China e Europa
As tensões comerciais globais também podem beneficiar o Brasil. Com a China sendo um dos países mais afetados pelas tarifas de Trump, produtos brasileiros podem ganhar espaço no mercado chinês. “Com a China enfrentando taxas de 34% para exportar aos EUA, nossa parceria com os chineses pode se fortalecer ainda mais”, explica Aguiar.
Na Europa, a possibilidade de retaliação contra os Estados Unidos pode acelerar a ratificação do acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia, firmado em dezembro de 2024. Esse cenário pode abrir portas para indústrias catarinenses expandirem suas exportações para o bloco europeu.
Estratégias e cautela diante do novo cenário
Apesar das perspectivas favoráveis, a FIESC alerta para a necessidade de um acompanhamento atento das políticas comerciais norte-americanas e suas consequências globais.
“O governo brasileiro precisa estabelecer canais de negociação para garantir que o Brasil continue a se beneficiar desse cenário, enquanto o setor privado deve reforçar suas estratégias de mercado e comunicação com clientes internacionais”, ressalta Aguiar.
Embora as tarifas de Trump representem uma chance para Santa Catarina ampliar suas exportações, a situação exige planejamento, diplomacia e estratégias de longo prazo para assegurar ganhos consistentes no comércio global.