Na última vez em que o Brasil conquistou a Copa do Mundo, em 2002, os celulares ainda tinham funções limitadas, telas pequenas e uso concentrado em ligações, mensagens de texto e jogos simples. Entre os aparelhos mais populares daquele período estava o Nokia 3310, modelo que se tornou um dos celulares mais conhecidos da história.
Lançado no exterior em 2000, o Nokia 3310 continuou em alta no Brasil nos anos seguintes e alcançou a marca de 126 milhões de unidades vendidas. O aparelho ficou conhecido pela resistência a quedas, pela bateria de longa duração e pelo jogo Snake, popularmente cham
ado de jogo da cobrinha.
O modelo ganhou o apelido de “Nokia tijolão” por causa da estrutura robusta e da fama de continuar funcionando mesmo após impactos. Diferente dos smartphones atuais, o aparelho tinha tela monocromática de 1,5 polegada, comandos por teclas físicas e recursos básicos para chamadas e mensagens.
O jogo Snake foi um dos elementos que ajudaram a tornar o celular conhecido. O controle era feito pelas teclas numéricas, as mesmas usadas para discar telefones e escrever mensagens SMS. A simplicidade do jogo e o acesso direto no aparelho fizeram com que ele se tornasse uma das lembranças mais associadas aos celulares do início dos anos 2000.
A diferença tecnológica entre o Nokia 3310 e os smartphones atuais evidencia a transformação do setor nas últimas duas décadas. Enquanto o modelo original tinha armazenamento de 1 kb, celulares modernos contam com centenas de gigabytes de capacidade, câmeras avançadas, acesso à internet em alta velocidade, aplicativos e recursos de inteligência artificial.
O sucesso do Nokia 3310 levou a HMD Global, empresa que assumiu o controle da marca Nokia, a relançar o aparelho em 2017. A nova versão chegou ao mercado com design mais leve e fino, mas manteve características associadas ao modelo original, como a bateria duradoura e uma versão atualizada do jogo Snake.
O modelo relançado também recebeu câmera de 2 megapixels, entrada para fones de ouvido e suporte para cartão de memória de até 32 GB. Apesar das atualizações, o aparelho manteve proposta simples, com conexão limitada à rede 2G e recursos básicos de navegação na internet.
Segundo a ficha técnica registrada pelo GSMArena, o Nokia 3310 original tinha tela monocromática de 1,5 polegada, bateria removível de 900 mAh, suporte a SMS e quatro jogos: Snake, Pairs, Space Impact e Bantumi. O aparelho também contava com digitação preditiva, mensagens inteligentes, discagem por voz, calculadora, conversor de moedas, registro de chamadas, protetores de tela, mensagens de boas-vindas e tamanho de fonte dinâmico.
Mesmo com recursos considerados simples pelos padrões atuais, o Nokia 3310 permanece associado a uma fase de transição da telefonia móvel. O aparelho marcou uma geração que acompanhou a popularização dos celulares no Brasil e viveu, ao mesmo tempo, a conquista do pentacampeonato mundial pela Seleção Brasileira.

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Heloisa Lima é redatora de artigos sobre variedades, curiosidades, esportes, culinária e cultura.
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