Quando se fala em velocidade, a associação imediata costuma ser quilômetros por hora. É assim nas estradas, nas cidades e no cotidiano. No entanto, ao observar mapas náuticos, acompanhar viagens de navios ou ler notícias sobre navegação, surge uma unidade diferente e curiosa: o nó. Longe de ser apenas um termo técnico antigo, ele carrega uma lógica histórica e prática que permanece atual, mesmo em tempos de satélites e sistemas digitais de navegação.
O uso dos nós na medição de velocidade marítima não é fruto de tradição sem sentido. Trata-se de um sistema construído a partir da relação direta entre deslocamento, tempo e a própria geometria do planeta. Para compreender por que quilômetros não são a referência no mar, é preciso voltar alguns séculos e entender como os navegadores lidavam com longas travessias antes da tecnologia moderna.
O que exatamente são os nós na navegação
De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), o nó é uma unidade utilizada exclusivamente para medir velocidade. Um nó corresponde ao deslocamento de uma milha náutica em uma hora. Em valores aproximados, isso significa que um nó equivale a 1,85 quilômetro por hora ou cerca de 1,15 milha terrestre por hora.
Diferentemente do quilômetro, que é uma medida linear baseada no sistema métrico, o nó está diretamente ligado à milha náutica, uma unidade pensada para facilitar o deslocamento sobre a superfície curva da Terra. Essa diferença é fundamental para entender sua permanência na navegação marítima e aérea.
A origem curiosa do termo “nó”
O nome não surgiu por acaso. Ele tem origem no século XVII, quando marinheiros precisavam estimar a velocidade de seus navios em pleno oceano, sem instrumentos eletrônicos ou referências fixas. Para isso, utilizavam um método conhecido como “log comum”.
Esse instrumento consistia em uma corda com vários nós espaçados de maneira regular. Na extremidade da corda havia um pedaço de madeira, geralmente em formato triangular ou semelhante a uma fatia de torta, que era lançado ao mar. Enquanto o navio seguia seu percurso, a madeira permanecia praticamente parada na água, fazendo com que a corda se desenrolasse.
O tempo era marcado com uma ampulheta, geralmente de cerca de 28 segundos. Quando a areia terminava de escorrer, os marinheiros contavam quantos nós haviam passado pelas mãos desde o lançamento da madeira. Cada nó correspondia a uma distância previamente calculada, equivalente a uma fração da milha náutica. Assim, o número de nós indicava a velocidade da embarcação.
Embora esse método tenha sido abandonado com o avanço da tecnologia, o termo “nó” permaneceu como herança direta desse sistema engenhoso e eficaz para a época.
O papel central da milha náutica
A milha náutica é a base de todo esse sistema. Diferente da milha terrestre ou do quilômetro, ela não foi definida apenas por convenção arbitrária. Seu valor está diretamente ligado à geografia do planeta.
Uma milha náutica corresponde exatamente a um minuto de latitude na superfície da Terra. Isso significa que ela se integra naturalmente ao sistema de coordenadas geográficas, formado por linhas de latitude e longitude. Como a Terra é aproximadamente esférica, esse tipo de medida facilita o cálculo de distâncias em grandes percursos marítimos.
Convertendo para o sistema métrico, uma milha náutica equivale a 1,85 quilômetro. Essa padronização tornou a navegação mais precisa e uniforme em escala global.

Por que quilômetros não funcionam bem no mar
Embora o quilômetro seja extremamente eficiente em trajetos terrestres, ele não dialoga bem com a lógica da navegação oceânica. No mar, não há estradas retas ou pontos fixos visíveis por longas distâncias. O deslocamento depende de coordenadas geográficas e da curvatura do planeta.
Usar milhas náuticas e nós permite que navegadores calculem trajetos diretamente sobre cartas náuticas, que já estão estruturadas com base em latitude e longitude. Dessa forma, medir distância e velocidade torna-se mais intuitivo e preciso, especialmente em viagens longas.
Essa mesma lógica explica por que o sistema também é adotado pela aviação. Aviões percorrem grandes distâncias sobre a superfície curva da Terra, tornando a milha náutica mais adequada do que o quilômetro para planejamento de rotas.
Padronização internacional e uso global
Em 1929, a Organização Hidrográfica Internacional (OHI) definiu oficialmente a milha náutica internacional como equivalente a 1,85 quilômetro. A partir desse momento, o sistema passou a ser adotado de forma padronizada em praticamente todo o mundo.
Antes disso, alguns países utilizavam valores ligeiramente diferentes. Os Estados Unidos adotaram oficialmente a milha náutica internacional em 1954, enquanto o Reino Unido fez o mesmo em 1970. Essa unificação foi fundamental para garantir segurança e padronização na navegação internacional.
Hoje, independentemente do país, navios, aviões e até missões espaciais utilizam o mesmo sistema de referência para velocidade e distância.
Um sistema antigo, mas extremamente atual
Mesmo com GPS, radares e sistemas digitais avançados, o uso dos nós permanece por sua eficiência conceitual. Ele não é apenas uma tradição histórica, mas uma unidade profundamente conectada à forma como o planeta é medido e representado.
Ao navegar, medir velocidade em nós significa compreender o deslocamento real sobre a superfície da Terra, e não apenas em linhas retas imaginárias. É por isso que, séculos depois de sua criação, essa unidade continua indispensável.
Conclusão
O uso dos nós na navegação marítima não é um capricho nem um costume ultrapassado. Ele nasceu da necessidade prática, foi aperfeiçoado pela ciência e permanece relevante por sua precisão e coerência geográfica. Em um mundo cada vez mais tecnológico, essa unidade histórica segue firme, lembrando que algumas soluções antigas continuam sendo as mais inteligentes quando o assunto é atravessar oceanos.

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