Naufrágio romano de 2 mil anos é descoberto na Suíça

Naufrágio romano de 2 mil anos é descoberto na Suíça

Entre em nosso grupo de notícias no WhatsApp

Vestígios de um naufrágio romano com cerca de dois mil anos foram identificados no lago de Neuchâtel, na Suíça, em uma descoberta considerada relevante para a arqueologia europeia. O sítio submerso apresenta um conjunto expressivo de artefatos preservados, permitindo novas interpretações sobre o comércio, a logística e a presença romana na região durante os primeiros séculos da era cristã.

A localização do sítio ocorreu a partir de imagens aéreas utilizadas no monitoramento do leito do lago, o que levou a mergulhos de verificação. As investigações confirmaram a presença de materiais pertencentes a uma embarcação cuja estrutura original já não está intacta, mas cujo carregamento permaneceu conservado ao longo do tempo.

Estudos iniciais indicam que o naufrágio ocorreu entre os anos 20 e 50 d.C., período de consolidação do Império Romano. Análises por carbono-14 em fragmentos de madeira sugerem uma datação que pode variar entre 50 a.C. e 50 d.C., reforçando a antiguidade do conjunto.

O material recuperado inclui grande quantidade de cerâmicas, como pratos, tigelas e recipientes diversos, produzidos em oficinas locais do Planalto Suíço. A presença desses itens aponta para uma produção regional integrada a redes comerciais mais amplas. Também foram identificadas ânforas utilizadas para transporte de azeite originário da Península Ibérica, indicando conexões comerciais de longa distância.

Além de utensílios domésticos, os pesquisadores encontraram ferramentas e componentes associados ao transporte terrestre, como rodas e peças de arreios. Esses elementos sugerem a existência de um sistema logístico que combinava rotas terrestres e lacustres.

Outro aspecto relevante é a presença de armamentos, incluindo espadas do tipo gladius. Esse dado levanta a hipótese de que a embarcação pudesse contar com algum tipo de proteção, indicando preocupação com a segurança durante o transporte de mercadorias.

As escavações foram organizadas em uma área delimitada no fundo do lago, com divisão em quadrantes para garantir precisão na coleta dos materiais. Na primeira etapa, dezenas de setores foram analisados, resultando na recuperação de cerca de 150 objetos. Parte dos artefatos foi encaminhada para processos de restauração e conservação.

Os vestígios não se concentram apenas em um ponto específico. Materiais foram encontrados a distâncias consideráveis do núcleo principal, o que indica dispersão da carga no momento do naufrágio.

Pesquisadores destacam que o local representa um registro preservado do período romano, funcionando como uma espécie de “instantâneo” histórico. No entanto, mudanças ambientais no lago ao longo dos séculos reduziram a proteção natural dos sedimentos, aumentando o risco de deterioração dos materiais.

Diante desse cenário, as equipes iniciaram campanhas de escavação e monitoramento contínuo, com foco na recuperação e preservação dos artefatos. Novas etapas de pesquisa estão em andamento, com expectativa de retirada de centenas de peças adicionais ainda submersas.

O conjunto arqueológico deve contribuir para ampliar o entendimento sobre as rotas comerciais romanas, os métodos de transporte e a circulação de mercadorias na Europa antiga. Após os trabalhos de conservação, a previsão é que os objetos possam ser apresentados ao público em instituições museológicas da região, ampliando o acesso ao patrimônio histórico.

LEIA MAIS: Submarino soviético afundado continua liberando radiação no Mar da Noruega

Rolar para cima
Copyright © Todos os direitos reservados.