Naufrágio da 2ª Guerra Mundial é localizado no litoral de SP

Naufrágio da 2ª Guerra Mundial é localizado no litoral de São Paulo

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Um dos episódios mais dramáticos da participação brasileira na Segunda Guerra Mundial voltou à tona após a identificação dos destroços do cargueiro Tutoya no litoral sul de São Paulo. Afundado em julho de 1943 por um submarino alemão, o navio permaneceu desaparecido por mais de oito décadas. Agora, localizado a cerca de 21 metros de profundidade entre Peruíbe e Iguape, o naufrágio reacende o debate sobre a presença de embarcações brasileiras atingidas durante o conflito e amplia o patrimônio histórico submerso do país.

A descoberta foi resultado de uma expedição conduzida por especialistas em mergulho e pesquisa de naufrágios. A equipe partiu da região da Serra do Guaraú após reunir relatos de pescadores e cruzar informações técnicas sobre possíveis pontos de impacto no fundo do mar. Mesmo com o uso de equipamentos modernos de sonar, a identificação não ocorreu de imediato. Após horas de busca, uma alteração no relevo submarino chamou a atenção dos pesquisadores, indicando a possibilidade de estruturas artificiais soterradas.

Com base nos dados coletados e na análise das dimensões registradas, o grupo decidiu realizar o mergulho exploratório. Ao atingir o fundo, os mergulhadores confirmaram que as medidas coincidiam com as características do Tutoya. A identificação foi oficializada no fim de 2025, consolidando o achado como um dos mais relevantes do litoral paulista nos últimos anos.

Construído na Inglaterra em 1913, o navio foi incorporado à frota do Lloyd Brasileiro em 1929 e atuava principalmente no transporte de cargas, incluindo alimentos essenciais em tempos de guerra. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Atlântico Sul tornou-se área estratégica, com submarinos alemães — conhecidos como U-boats — atacando embarcações aliadas para interromper rotas de abastecimento.

O ataque ao Tutoya ocorreu em 1º de julho de 1943. Mesmo navegando com protocolos de segurança, a embarcação acabou tendo sua posição revelada, tornando-se alvo do submarino alemão U-513. O torpedo lançado partiu o cargueiro ao meio, provocando a morte do comandante e de outros seis tripulantes. O episódio integrou a série de ofensivas que contribuíram para a mobilização definitiva do Brasil no conflito.

Naufrágio da 2ª Guerra Mundial é localizado no litoral de SP
Foto: Divulgação /Naufrágios do Brasil

Hoje, o local onde repousam os destroços é considerado um sítio arqueológico submerso protegido por legislação brasileira. A retirada de peças ou objetos é proibida, preservando a integridade histórica da embarcação. Especialistas descrevem o cenário como um “museu subaquático”, já que parte significativa da estrutura permanece intacta, permitindo a observação de elementos originais do navio.

A profundidade de 21 metros é considerada relativamente acessível para mergulhadores recreativos certificados, o que amplia o potencial de visitação controlada. Diferentemente de naufrágios situados abaixo dos 40 metros, que exigem treinamento técnico avançado, o Tutoya pode ser explorado com menor complexidade operacional, respeitando normas de segurança e preservação.

Além do valor histórico, a descoberta contribui para o mapeamento dos impactos da Segunda Guerra Mundial na costa brasileira. O Brasil registrou diversos ataques a navios mercantes durante o conflito, eventos que marcaram profundamente a sociedade da época e impulsionaram o envio de tropas à Europa.

A localização do Tutoya representa não apenas um avanço na arqueologia marítima, mas também um tributo aos tripulantes que perderam a vida no episódio. O fundo do mar preservou por 82 anos um fragmento silencioso da história nacional, agora revelado por tecnologia, pesquisa e persistência. Ao emergir como notícia, o naufrágio reafirma a importância da memória histórica e do patrimônio cultural submerso do país.

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