A NASA concluiu nesta quinta-feira (19) o teste final do foguete que será utilizado na missão Artemis 2, marco do novo programa de exploração lunar norte-americano. A operação, conhecida como “ensaio geral molhado”, simulou praticamente todo o processo de lançamento, incluindo abastecimento completo e contagem regressiva, mas sem a ignição dos motores.
Esta foi a segunda tentativa de realizar o procedimento. No início do mês, o primeiro ensaio foi interrompido após vazamentos identificados durante o abastecimento com hidrogênio líquido. Após análises técnicas, engenheiros revisaram conexões e reforçaram protocolos de segurança. Desta vez, houve apenas uma pequena anomalia relacionada à tensão do sistema de aviônica de um dos foguetes auxiliares, rapidamente corrigida, permitindo a continuidade da simulação.
O que foi avaliado no teste do SLS
O ensaio envolveu o carregamento de cerca de 3,18 milhões de litros de oxigênio e hidrogênio líquidos no foguete Space Launch System (SLS). O abastecimento começou por volta das 13h (horário de Brasília) e avançou ao longo do dia até os momentos finais da contagem regressiva, etapa considerada a mais crítica da operação.
Por volta das 22h30, os sistemas foram levados às condições mais próximas possíveis de um lançamento real. O cronômetro avançou até T-1 minuto e 30 segundos antes da ignição simulada. Conforme previsto nos protocolos, houve pausas técnicas para testar procedimentos de interrupção e reinício da contagem — mecanismo essencial para garantir segurança em caso de imprevistos no dia oficial.
A sequência foi repetida para validar diferentes cenários. O objetivo é treinar as equipes para reagir com precisão diante de qualquer falha de última hora. A experiência acumulada é estratégica, especialmente após os desafios enfrentados na missão Artemis 1, quando vazamentos e falhas técnicas exigiram repetição de testes e retorno do foguete ao edifício de montagem.
A cápsula Orion também passou por verificações completas. Sistemas internos foram ativados, baterias carregadas e testes de vedação realizados, incluindo ajustes em uma válvula de pressurização da escotilha que havia apresentado necessidade de reforço anteriormente.

Missão histórica e tripulação
A Artemis 2 será o primeiro voo tripulado do programa Artemis e marcará o retorno de astronautas à órbita lunar mais de 50 anos após as missões do programa Apollo. A tripulação será formada por quatro astronautas: Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, este último representante da Agência Espacial Canadense.
O voo terá duração aproximada de dez dias e levará a tripulação a uma distância inédita para missões tripuladas modernas. A nave deve atingir velocidades recordes no retorno à Terra, o que poderá tornar os integrantes da missão os humanos mais rápidos já enviados ao espaço. Além disso, será a primeira vez que uma mulher e uma pessoa negra viajarão tão longe no espaço profundo.
Se o cronograma for mantido, o lançamento poderá ocorrer no dia 6 de março, com datas alternativas reservadas para os dias seguintes, dependendo das condições técnicas e climáticas. Enquanto isso, a tripulação permanece em quarentena em Houston, no Texas, seguindo protocolos rigorosos de saúde e preparação final.
Com o teste concluído dentro do esperado, a NASA avança para uma das etapas mais simbólicas da exploração espacial contemporânea. A Artemis 2 não apenas retoma a ambição de levar seres humanos de volta à Lua, mas também inaugura uma nova fase de presença humana no espaço profundo, preparando o caminho para futuras missões que pretendem, finalmente, retornar à superfície lunar.
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