Disfarçada de homem, ela desafiou a proibição e escalou o Monte Fuji no século XIX

Disfarçada de homem, ela desafiou a proibição e escalou o Monte Fuji no século XIX

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No início do século XIX, escalar o Monte Fuji não era apenas uma aventura física, mas também um ato religioso profundamente simbólico no Japão. No entanto, durante esse período, as mulheres eram proibidas de subir a montanha considerada sagrada. Mesmo diante dessa restrição, uma jovem decidiu desafiar as normas e escrever um capítulo silencioso, mas extraordinário, da história.

Em 1832, Tatsu Takayama realizou uma escalada histórica ao alcançar o topo do Monte Fuji. Para conseguir completar a jornada, ela precisou se disfarçar com roupas masculinas e viajar acompanhada por um pequeno grupo de peregrinos. Na época, mulheres flagradas na montanha poderiam ser impedidas de continuar ou até sofrer punições.

A proibição de mulheres no Monte Fuji

Durante o período Edo, entre 1603 e 1868, a subida ao Monte Fuji tinha forte caráter espiritual. Integrantes da confraria religiosa Fuji-kō organizavam peregrinações até o topo da montanha, considerada um local sagrado.

Nesse contexto, vigorava a doutrina conhecida como nyonin kinsei, que proibia a presença feminina em determinadas montanhas sagradas. A crença afirmava que as mulheres eram ritualmente impuras e que sua presença poderia ofender as divindades ligadas ao local.

Por essa razão, postos de controle e guardas eram instalados ao longo das trilhas para impedir a passagem de mulheres acima de certos pontos da montanha. Muitas peregrinas precisavam permanecer na base do Fuji, realizando rituais à distância ou escalando pequenas réplicas simbólicas da montanha.

Disfarçada de homem, ela desafiou a proibição e escalou o Monte Fuji no século XIX

A ousada escalada de Tatsu Takayama

Com apenas 24 anos, Tatsu Takayama decidiu enfrentar essa proibição. Para não ser reconhecida, raspou a franja e vestiu roupas masculinas. Assim, iniciou a jornada pela trilha de Yoshida acompanhada por cinco homens, entre discípulos e um sacerdote da confraria.

A subida ocorreu no final da temporada de escaladas, em outubro de 1832. O grupo enfrentou frio intenso, vento forte e neve acumulada nas encostas da montanha. Mesmo assim, seguiram avançando até alcançar o portal sagrado conhecido como Torii, próximo ao cume.

Registros históricos descrevem a chegada de Takayama ao topo de forma simples, mas significativa: “Uma mulher nascida no Ano do Dragão escalou a montanha no Ano do Dragão”. O feito foi registrado em documentos preservados pela família Takayama e por arquivos ligados às peregrinações do Monte Fuji.

Uma história quase esquecida

Apesar da coragem demonstrada por Takayama, sua história permaneceu pouco conhecida durante muitos anos. Os registros históricos sobre montanhismo no Japão eram dominados por relatos masculinos, e muitas histórias femininas acabaram sendo ignoradas ou esquecidas.

Mesmo após sua escalada, a proibição de mulheres continuou em vigor por décadas. Somente em 1872, durante o período de modernização do Japão sob o governo Meiji, a regra que impedia mulheres de subir montanhas sagradas foi oficialmente revogada.

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