Erro médico leva mulher a fazer quimioterapia por quatro anos sem ter câncer

Erro médico leva mulher a fazer quimioterapia por quatro anos sem ter câncer

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Uma falha grave no diagnóstico médico levou uma mulher italiana a enfrentar quatro anos de quimioterapia agressiva para tratar uma doença que ela nunca teve. O caso, ocorrido em um hospital universitário da cidade de Pisa, na Itália, resultou no reconhecimento judicial de negligência médica e no pagamento de uma indenização de 500 mil euros, o equivalente a cerca de R$ 3,15 milhões.

A história veio a público por meio da imprensa local e ganhou repercussão após a decisão mais recente da Justiça italiana, que revisou o valor inicialmente fixado. A paciente, hoje com 70 anos, recebeu o diagnóstico equivocado no início dos anos 2000, quando tinha 42 anos, e passou a viver sob a convicção de que enfrentava um linfoma em estágio avançado, um tipo grave de câncer do sistema linfático com comprometimento intestinal.

De acordo com o jornal Corriere Fiorentino, o diagnóstico foi feito em 2006, após exames realizados no hospital universitário. A partir daí, os médicos indicaram um tratamento considerado altamente invasivo, baseado em ciclos intensos de quimioterapia e no uso prolongado de corticosteroides, procedimentos normalmente reservados para quadros oncológicos severos.

Entre janeiro de 2007 e maio de 2011, a mulher foi submetida de forma contínua às terapias, acreditando que lutava contra uma doença potencialmente fatal. Ao longo desse período, o tratamento provocou danos significativos à sua saúde. Houve desequilíbrio hormonal, enfraquecimento do sistema imunológico e o surgimento de transtornos psicológicos, como depressão profunda e crises de ansiedade, consequências associadas tanto aos medicamentos quanto ao impacto emocional do suposto diagnóstico.

Somente em 2011, após a realização de uma biópsia óssea mais detalhada, os médicos constataram que a paciente nunca teve câncer. A confirmação de que todo o tratamento havia sido desnecessário marcou uma virada dramática no caso e abriu caminho para uma longa disputa judicial.

A mulher entrou com uma ação por negligência médica e, em primeira instância, obteve uma indenização de 300 mil euros. O valor, no entanto, foi considerado insuficiente pela defesa, diante da extensão dos danos físicos, psicológicos e do sofrimento prolongado imposto à paciente. O processo voltou a ser analisado e, na última decisão, o tribunal determinou a elevação da compensação para 500 mil euros.

Na sentença, os magistrados destacaram que o aumento do valor se justifica pela “extraordinária angústia e sofrimento” vividos ao longo de anos, além das consequências irreversíveis causadas à saúde da mulher. A decisão reconheceu que o erro não se limitou a um equívoco pontual, mas resultou em um ciclo contínuo de tratamentos agressivos sem base clínica adequada.

Em entrevista ao jornal Il Tirreno, a paciente relatou que ainda convive diariamente com os efeitos das terapias. Segundo ela, o sistema imunológico ficou severamente comprometido em razão de tratamentos que classificou como “inúteis e prejudiciais”. Apesar da indenização, afirmou que o impacto emocional do erro médico permanece. “Não encontro paz, mesmo depois dessa sentença”, declarou.

O caso reacende o debate sobre responsabilidade médica, protocolos de diagnóstico e a importância de revisões clínicas rigorosas antes da adoção de tratamentos invasivos. Também expõe o peso humano de erros dessa natureza, que ultrapassam números e decisões judiciais, deixando marcas permanentes na vida de quem confia no sistema de saúde.

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