A mudança de estação, marcada pela redução das temperaturas e pela queda da umidade do ar, tem contribuído para o aumento dos casos de doenças respiratórias em diferentes faixas etárias. A combinação de clima mais frio e maior permanência em ambientes fechados favorece a circulação de vírus e a intensificação de quadros alérgicos, ampliando a vulnerabilidade da população.
De acordo com especialistas da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), as condições típicas desta época do ano criam um cenário propício para a disseminação de infecções das vias aéreas superiores e para o agravamento de doenças respiratórias crônicas.
A otorrinolaringologista Dra. Roberta Pilla explica que o ar seco compromete os mecanismos naturais de defesa do organismo. Segundo ela, a mucosa nasal e o sistema mucociliar funcionam como barreira protetora das vias respiratórias. Quando essa proteção é prejudicada, vírus, bactérias e alérgenos encontram maior facilidade para penetrar nas vias aéreas, aumentando a incidência de infecções e a exacerbação de doenças alérgicas.
A médica também ressalta que a exposição a ácaros, poeira doméstica e mofo contribui para o surgimento de crises de rinite alérgica e inflamações respiratórias, podendo levar a complicações mais graves em pacientes com doenças crônicas.
Entre os quadros mais frequentes observados nesta época estão resfriado comum, infecções virais das vias aéreas superiores, rinite alérgica, rinossinusite aguda, faringites, amigdalites e crises de tosse. Em crianças, também são comuns as otites médias, que podem estar associadas a processos inflamatórios na região da nasofaringe e da tuba auditiva.
Sintomas que inicialmente podem parecer leves exigem atenção. Obstrução nasal persistente, espirros frequentes, coriza clara, sensação de pressão facial, tosse seca, gotejamento pós-nasal, alterações no sono e aparecimento de ronco não devem ser ignorados. A Dra. Roberta Pilla alerta que, quando esses sinais persistem por vários dias ou se tornam recorrentes, podem indicar rinite ou início de rinossinusite, sendo recomendada avaliação médica para evitar complicações.
Embora resfriado, rinite e rinossinusite apresentem sintomas semelhantes, há diferenças clínicas importantes. O resfriado comum costuma ser autolimitado, com duração média de cinco a sete dias, caracterizado por coriza, espirros, congestão nasal e mal-estar leve. A rinite alérgica manifesta espirros em sequência, coceira no nariz, garganta ou olhos e sintomas recorrentes após contato com alérgenos. Já a rinossinusite é marcada por obstrução nasal intensa, secreção purulenta persistente, dor ou pressão facial e redução do olfato.
A especialista destaca que, se os sintomas ultrapassarem dez dias, apresentarem piora após melhora inicial ou forem acompanhados de febre alta, pode haver suspeita de infecção bacteriana, sendo necessária avaliação médica. A consulta com otorrinolaringologista também é indicada em casos de febre elevada, dor facial intensa, tosse prolongada, dificuldade respiratória, chiado no peito ou recorrência frequente dos quadros ao longo do ano. Segundo a médica, o especialista consegue identificar se o problema tem origem viral, alérgica ou infecciosa, definindo o tratamento adequado e prevenindo complicações.
Medidas preventivas podem reduzir o risco de doenças respiratórias durante a estação. Manter boa hidratação, realizar lavagem nasal com solução salina, ventilar os ambientes, reduzir o acúmulo de poeira e ácaros, evitar mudanças bruscas de temperatura, higienizar as mãos com frequência e manter a vacinação atualizada são orientações recomendadas pelos especialistas. A Dra. Roberta Pilla afirma que pequenas ações diárias contribuem para preservar a integridade da mucosa respiratória e diminuir a exposição a agentes infecciosos e alérgenos, especialmente em grupos mais vulneráveis.

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