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Arqueólogos encontram mosaico da antiguidade com estranhos símbolo de proteção

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Arqueólogos que atuam nas escavações da antiga cidade de Esmirna, atual Izmir, na Turquia, identificaram uma sala com piso de mosaico decorado com a imagem do chamado “nó de Salomão”, um símbolo tradicionalmente associado à proteção contra a inveja, o mau-olhado e forças consideradas negativas.

A descoberta foi divulgada pelo portal especializado Arkeonews e ocorreu na ágora da cidade antiga, localizada na rua norte do sítio arqueológico, cujas ruínas permanecem preservadas no centro urbano da moderna Izmir.

De acordo com os pesquisadores, a sala recém-identificada está situada ao longo de uma das principais vias da antiga Esmirna, uma área que, segundo as evidências arqueológicas, permaneceu em uso contínuo até o final do período romano, entre os séculos IV e VI depois de Cristo. A localização reforça a importância do espaço dentro da dinâmica urbana da cidade, que se destacava como um dos mais relevantes centros portuários do Mediterrâneo oriental.

A ágora de Esmirna desempenhava funções centrais na vida da cidade, concentrando atividades políticas, comerciais e administrativas. O achado do mosaico nesse contexto amplia o entendimento sobre o uso simbólico e arquitetônico dos espaços públicos e privados ao longo da Antiguidade Tardia, período marcado por intensas transformações culturais, religiosas e urbanas.

O piso de mosaico mede aproximadamente três metros por quatro metros e apresenta uma composição formada por painéis geométricos entrelaçados, combinados com padrões florais. No centro da decoração está o nó simbólico, identificado pelos especialistas como uma representação do nó de Salomão. Esse motivo geométrico era amplamente utilizado como talismã e elemento protetor em diferentes regiões do mundo antigo.

Segundo os cientistas envolvidos na pesquisa, o nó de Salomão é um símbolo recorrente em diversas culturas e tradições religiosas. Exemplos semelhantes já foram encontrados em vilas romanas, sinagogas, igrejas cristãs primitivas, além de obras da arte islâmica e bizantina produzidas em períodos posteriores. De modo geral, o símbolo é interpretado como uma representação de eternidade, harmonia, sabedoria e proteção espiritual.

Nas culturas mediterrâneas, o nó de Salomão costumava ser associado à ideia de neutralizar influências negativas, desempenhando função semelhante à de amuletos utilizados contra o mau-olhado. A presença desse símbolo no piso da sala sugere que o espaço, independentemente de sua função específica, possuía um significado simbólico voltado à proteção do edifício e das pessoas que o utilizavam.

Até o momento, os arqueólogos não conseguiram determinar com precisão a função arquitetônica da sala onde o mosaico foi encontrado. Não está claro se o ambiente fazia parte de uma residência privada ou se integrava um espaço de uso público. Ainda assim, o simbolismo do mosaico fornece pistas importantes sobre as crenças e práticas culturais associadas ao local.

Os pesquisadores também identificaram que o piso decorado já havia sido registrado pela primeira vez no século XIX. Posteriormente, ele foi preservado e incorporado a uma nova construção, possivelmente vinculada a um hospital não muçulmano que teria funcionado no local em período posterior.

Evidências arqueológicas indicam que paredes construídas mais tarde foram erguidas diretamente sobre a superfície do mosaico, demonstrando que o piso antigo foi mantido de forma intencional.

De acordo com os especialistas, essa reutilização consciente do mosaico revela uma longa tradição de continuidade urbana em Esmirna. Ao longo dos séculos, comunidades sucessivas optaram por adaptar, restaurar e reaproveitar estruturas preexistentes, em vez de promover sua completa demolição. Essa prática contribuiu para a preservação de elementos arquitetônicos e artísticos de diferentes períodos históricos.

Os arqueólogos responsáveis pelas escavações afirmam que a ampliação dos trabalhos, prevista para 2026, poderá revelar novas salas ou elementos arquitetônicos associados ao espaço do mosaico. A expectativa é que futuras descobertas ajudem a esclarecer a função original do ambiente e aprofundem o conhecimento sobre a organização urbana e simbólica da antiga Esmirna durante a Antiguidade Tardia.

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