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Monte Everest cresce alguns milímetros por ano

A montanha mais alta do planeta ainda não terminou de crescer

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O ponto mais elevado da Terra não é uma estrutura imóvel. Ao contrário do que muitos imaginam, o Monte Everest continua crescendo. Alguns milímetros por ano parecem insignificantes, mas, em escala geológica, representam um processo ativo e contínuo. A montanha que desafia alpinistas também desafia o tempo. Sua elevação é resultado direto da colisão de placas tectônicas. Um choque lento, porém persistente, que molda o relevo da Ásia há milhões de anos. Cada pequeno avanço vertical carrega a assinatura da força interna do planeta. O Everest não é apenas o topo do mundo. É também um laboratório vivo da geologia. E sua história está longe de ser concluída.

Localizado na fronteira entre o Nepal e a China, o Monte Everest atinge atualmente 8.848,86 metros de altitude, segundo medição oficial divulgada em 2020. O número já foi revisado diversas vezes ao longo da história, acompanhando avanços tecnológicos e mudanças naturais.

A explicação para o crescimento está no movimento das placas tectônicas. A placa indiana continua empurrando-se contra a placa euroasiática, processo iniciado há cerca de 50 milhões de anos. Essa colisão formou a cordilheira do Himalaia, da qual o Everest é o ponto culminante.

A força invisível das placas tectônicas

O crescimento anual do Everest, estimado entre 3 e 5 milímetros, decorre da compressão contínua da crosta terrestre. A placa indiana move-se em direção ao norte a uma velocidade média de cerca de 4 centímetros por ano.

Quando duas placas continentais colidem, nenhuma delas afunda facilmente no manto terrestre. Em vez disso, ocorre enrugamento da crosta, formando cadeias montanhosas. O Himalaia é o exemplo mais emblemático desse processo.

O fenômeno não é uniforme. Parte da energia da colisão é liberada em forma de terremotos, comuns na região. Outra parte resulta na elevação gradual do relevo.

Esse crescimento, embora lento na perspectiva humana, é significativo na escala da história geológica.

Medições modernas e tecnologia de precisão

Durante décadas, a altitude do Everest foi motivo de debate entre geógrafos e governos. Diferentes métodos de medição produziram resultados variados.

Com o uso de sistemas de posicionamento por satélite (GPS), radar e tecnologia de sensoriamento remoto, tornou-se possível calcular a altura com maior precisão. A medição conjunta realizada por Nepal e China confirmou a altitude atual em 8.848,86 metros.

Essas análises também permitem monitorar deformações na crosta terrestre. Sensores instalados na montanha registram pequenas variações ao longo do tempo.

Além do crescimento tectônico, fatores como erosão, neve acumulada e atividade sísmica influenciam medições temporárias.

O papel dos terremotos na dinâmica do Everest

Terremotos podem alterar momentaneamente a altitude da montanha. O sismo de 2015 no Nepal, por exemplo, gerou questionamentos sobre possíveis mudanças estruturais.

Estudos indicaram que o impacto foi mínimo em termos de altura total, mas evidenciaram como eventos sísmicos podem redistribuir massa e alterar o relevo local.

O equilíbrio entre elevação tectônica e erosão natural determina a forma final da montanha. Ventos intensos, gelo e degelo constantes contribuem para desgaste gradual.

Ainda assim, a força interna da Terra supera a erosão, mantendo o crescimento líquido positivo.

Monte Everest cresce alguns milímetros por ano

O Himalaia: uma cordilheira em transformação

O Everest integra a cordilheira do Himalaia, que abriga algumas das montanhas mais altas do planeta. O K2, segunda montanha mais alta do mundo, também resulta da mesma dinâmica tectônica.

A formação do Himalaia alterou padrões climáticos globais, influenciando sistemas de monções e distribuição de biodiversidade.

Geólogos consideram a região uma das mais jovens cadeias montanhosas do mundo em termos geológicos. Isso significa que ainda está em processo ativo de formação.

A colisão entre as placas não cessou. Enquanto houver movimento tectônico, haverá transformação no relevo.

Crescimento milimétrico, impacto monumental

Embora alguns milímetros por ano pareçam irrelevantes, em um milhão de anos representam vários metros adicionais de altitude — se não houver compensação por erosão.

Esse processo revela que o planeta está em constante mutação. Montanhas surgem, crescem e eventualmente se desgastam.

O Everest simboliza essa dinâmica. Ele não é apenas um desafio para alpinistas, mas também um indicador da energia interna da Terra.

A geologia mostra que o relevo não é estático. O que hoje é o ponto mais alto pode, em milhões de anos, ser superado por outras formações.

Ciência, aventura e consciência ambiental

Além da relevância científica, o crescimento do Everest desperta interesse entre montanhistas e pesquisadores. Expedições que buscam alcançar seu cume também convivem com riscos naturais decorrentes da instabilidade geológica.

A região enfrenta desafios ambientais, como o derretimento acelerado de geleiras devido às mudanças climáticas. O aquecimento global afeta o equilíbrio da montanha, alterando padrões de gelo e aumentando riscos de avalanches.

O Everest cresce milímetros por ano, mas também sofre impactos da atividade humana.

Essa dualidade reforça a necessidade de monitoramento constante e preservação ambiental.

A montanha que continua subindo enquanto o mundo observa

O Monte Everest não é um monumento estático. Ele cresce alguns milímetros por ano devido à colisão das placas tectônicas. Esse movimento começou há milhões de anos e permanece ativo. A tecnologia moderna confirma sua elevação contínua. Terremotos e erosão influenciam sua forma, mas não interrompem o processo. O Himalaia segue em transformação constante. O crescimento do Everest revela a força dinâmica da Terra. E lembra que o planeta está sempre em movimento.

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