Um novo estudo sobre moedas vikings encontradas na Dinamarca indica que parte do metal usado em sua fabricação pode ter vindo de moedas islâmicas de prata. A análise foi realizada em peças do tesouro de Damhus, conjunto formado por 226 pennies descoberto em 2018 nas proximidades de Ribe, antigo centro urbano da Era Viking.
As moedas têm cerca de mil anos e apresentam, em um dos lados, a imagem de um rosto que pode representar Wodan ou Odin, divindade associada à tradição nórdica. No outro lado, aparece a figura de um cervo. Segundo pesquisadores, esse tipo de moeda circulava em um período de intensa atividade comercial no norte da Europa.
De acordo com informações divulgadas pelo Live Science, o estudo sugere que as moedas foram produzidas com prata reciclada de dirhams, moedas islâmicas que circularam amplamente em regiões do Oriente Médio e da Ásia Central. Esses objetos chegaram ao mundo viking por meio de rotas comerciais que ligavam diferentes áreas da Europa, do mundo islâmico e da Escandinávia.
Thomas Birch, do Museu Nacional da Dinamarca, explicou que cada uma dessas moedas tinha valor suficiente para comprar itens simples do cotidiano, como cerveja, pão ou pequenas ferramentas. Isso indica que elas não eram apenas objetos de prestígio, mas também faziam parte da circulação econômica da época.
A pesquisa também analisou o processo de fabricação das moedas. Segundo Birch, quando os cunhos usados para marcar as peças se desgastavam, eram substituídos por outros semelhantes. Pelo menos 30 cunhos teriam sido usados para produzir esse conjunto monetário, o que sugere uma fabricação em larga escala.

Os pesquisadores acreditam que centenas de milhares de moedas semelhantes podem ter sido cunhadas em uma única casa da moeda em Ribe. A cidade é considerada um dos mais importantes centros vikings da Dinamarca e teve papel relevante nas trocas comerciais da região.
Para compreender a origem do metal, 25 moedas foram examinadas por fluorescência de raios X, técnica que permite identificar a composição química dos materiais sem destruir os objetos. A presença de elementos residuais na prata indicou que mais da metade do metal usado nas moedas pode ter vindo de dirhams islâmicos.
A hipótese dos pesquisadores é que as moedas islâmicas tenham sido derretidas fora da Escandinávia e depois transportadas para Ribe na forma de lingotes. Esse metal teria sido reutilizado na produção das moedas vikings encontradas no tesouro de Damhus.
Segundo Birch, se essas moedas foram realmente cunhadas às centenas de milhares, isso representaria uma quantidade expressiva de prata islâmica sendo incorporada à economia viking. A descoberta reforça a importância das redes comerciais que conectavam povos distantes durante a Idade Viking.
O estudo também mostra que a economia escandinava daquele período não estava isolada. Pelo contrário, dependia de metais, objetos e matérias-primas que circulavam por grandes distâncias. A presença de prata islâmica em moedas vikings é um indicativo das conexões comerciais entre a Escandinávia e outras regiões do mundo antigo.
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Apaixonada pela literatura brasileira e internacional, Heloísa Montagner Veroneze é reatora de artigos locais e regionais, com experiência em temas diversos, especialmente sobre livros, arqueologia e curiosidades.
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