O mochi é um dos doces mais tradicionais e simbólicos da culinária japonesa, profundamente ligado à cultura, à espiritualidade e às celebrações do país. Feito a partir de arroz glutinoso transformado em uma massa elástica e macia, o mochi vai muito além de uma simples sobremesa. Ele representa prosperidade, união e renovação, sendo presença constante em festividades como o Ano-Novo japonês, quando é preparado em rituais coletivos conhecidos como mochitsuki.
Historicamente, o mochi surgiu como um alimento cerimonial, reservado a ocasiões especiais e à nobreza. Com o passar dos séculos, passou a integrar o cotidiano, ganhando versões recheadas, grelhadas, doces ou salgadas. No Ocidente, tornou-se conhecido principalmente pelo mochi recheado com anko, o doce de feijão azuki, ou por versões modernas com sorvete. Ainda assim, a essência do mochi permanece a mesma: simplicidade nos ingredientes, técnica cuidadosa e atenção à textura.
A seguir, apresenta-se uma receita tradicional de mochi recheado com anko, adaptada para o preparo doméstico, respeitando os princípios originais da confeitaria japonesa e mantendo um preparo detalhado e acessível.
Ingredientes do mochi
Para a massa
1 xícara de farinha de arroz glutinoso (conhecida como mochiko)
3/4 de xícara de água
1/4 de xícara de açúcar
Amido de milho ou fécula de batata para polvilhar
Para o recheio (anko)
1 xícara de feijão azuki
3/4 de xícara de açúcar
1 pitada de sal
Água suficiente para o cozimento
Modo de preparo do mochi
O preparo começa pelo recheio, que deve estar pronto antes da confecção da massa. Lave bem o feijão azuki em água corrente e coloque-o em uma panela. Cubra com água e leve ao fogo médio até ferver. Após levantar fervura, descarte essa água, adicione água nova e volte ao fogo. Cozinhe o feijão até que os grãos fiquem macios, o que pode levar de 45 minutos a 1 hora. Durante o cozimento, acrescente mais água se necessário, mantendo o feijão sempre coberto.
Quando o feijão estiver macio, escorra o excesso de água, deixando apenas um pouco do caldo. Acrescente o açúcar e a pitada de sal, misturando bem. Cozinhe em fogo baixo, mexendo sempre, até obter uma pasta espessa e homogênea. O ponto ideal é quando a pasta desgruda do fundo da panela. Desligue o fogo, deixe esfriar completamente e modele pequenas porções em formato de bolinhas. Reserve.
Para a massa do mochi, em uma tigela resistente ao calor, misture a farinha de arroz glutinoso com o açúcar. Aos poucos, adicione a água, mexendo até obter uma mistura lisa, sem grumos. A massa ficará líquida antes do cozimento, o que é normal.
O cozimento pode ser feito no micro-ondas ou no vapor. No micro-ondas, cubra a tigela com plástico filme próprio para alimentos, deixando uma pequena abertura. Leve ao micro-ondas por cerca de 1 minuto em potência alta. Retire, mexa bem com uma colher ou espátula e retorne ao micro-ondas por mais 1 minuto. Repita o processo até que a massa fique espessa, translúcida e elástica. O tempo total costuma variar entre 3 e 4 minutos.
Caso opte pelo cozimento no vapor, coloque a mistura em um recipiente resistente, leve ao vapor e cozinhe por cerca de 15 a 20 minutos, mexendo na metade do tempo, até atingir a mesma consistência elástica e brilhante.
Com a massa ainda quente, polvilhe uma superfície limpa com amido de milho ou fécula de batata em quantidade generosa. Transfira a massa para essa superfície, tomando cuidado para não se queimar, pois ela estará quente e pegajosa. Polvilhe mais amido por cima e, com as mãos ou uma espátula, abra a massa delicadamente, formando um disco com cerca de meio centímetro de espessura.
Corte a massa em porções iguais. Pegue uma porção, retire o excesso de amido e abra levemente na palma da mão. Coloque uma bolinha de anko no centro e feche cuidadosamente, puxando as bordas da massa até envolver completamente o recheio. Modele suavemente, sem apertar demais, para manter a textura macia característica do mochi.
Repita o processo com todas as porções. Caso perceba que a massa está grudando, utilize um pouco mais de amido, sempre retirando o excesso antes de finalizar cada unidade.
O mochi pode ser consumido imediatamente ou armazenado por curto período em recipiente fechado, preferencialmente no mesmo dia, pois sua textura se altera com o tempo.
Conclusão
O mochi é um doce que expressa a essência da culinária japonesa: poucos ingredientes, preparo cuidadoso e profundo respeito à textura e ao sabor. Sua elasticidade característica e o contraste com o recheio suave de feijão azuki criam uma experiência sensorial única, que vai além do paladar. Preparar mochi em casa é também um exercício de paciência e atenção, no qual cada etapa influencia diretamente o resultado final. Mais do que uma sobremesa, o mochi carrega séculos de tradição, simbolismo e afeto, sendo um exemplo claro de como a gastronomia pode preservar histórias e valores culturais por meio de receitas simples, mas profundamente significativas.

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