Ouro em alta, fronteiras vulneráveis e crime organizado impulsionam destruição ambiental na Amazônia, alerta documento da inteligência.
A mineração ilegal de ouro se tornou a principal atividade ilícita na faixa de fronteira entre Brasil e Colômbia, segundo um relatório conjunto da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e da DNI, órgão de inteligência colombiano. O levantamento classifica o garimpo clandestino como a maior ameaça ambiental da região, ampliado por preços recordes do ouro, baixa atuação estatal e fronteiras de fácil circulação para redes criminosas.
O documento indica que facções e grupos transnacionais atuam em toda a floresta, aproveitando-se de áreas remotas para extração de minério e movimentação de produtos ilegais.
Ouro mais caro e fronteiras mais vulneráveis
Nos últimos anos, o ouro teve alta expressiva no mercado mundial, impulsionando a exploração criminosa. Em março de 2025, a cotação ultrapassou US$ 3.000 por onça (31,1 g), aumento superior a 40% em relação a 2024. Segundo o relatório, na Amazônia brasileira boa parte da produção vem de garimpos irregulares — chegando a representar praticamente a totalidade da extração na faixa de fronteira.
Essa corrida pelo metal também se vincula ao narcotráfico. O ouro é utilizado para lavagem de dinheiro, pagamento por drogas e investimento em negócios ilegais.
Rios sob ameaça e impactos irreversíveis
A extração predatória provoca poluição, assoreamento, contaminação por mercúrio e perda de biodiversidade. A atividade ocorre principalmente por sistemas de dragagem e balsas em grandes rios amazônicos, como Caquetá-Japurá, Putumayo-Içá e Amazonas-Solimões.
Além dos danos ambientais, comunidades indígenas e ribeirinhas sofrem com falta de água potável, diminuição de peixes, violência e aliciamento de jovens para o crime, segundo o relatório.
Dados citados no documento indicam que, apenas na região do rio Puruê, foram destruídos mais de 2.500 hectares de floresta desde 2019.

Estrutura do crime: quem são os responsáveis
A cadeia clandestina do ouro é composta por quatro grupos principais:
- Redes criminosas e financiadores — comandam toda a logística e comercialização
- Grupos armados — controlam áreas e exploram trabalhadores
- Mão de obra — garimpeiros e operários das balsas e dragas
- Facilitadores — agentes públicos e privados envolvidos em fraude e corrupção
No Brasil, parte do ouro ilegal é escoada para municípios como Japurá, Jutaí, Tefé e Tabatinga, sem registro formal. O restante é encaminhado para centros de “esquentamento”, como Manaus (AM) e Itaituba (PA), onde entra disfarçado na cadeia legal.
Na Colômbia, grupos armados intimidam comunidades para manter o controle da mineração e do tráfico de drogas, ampliando índices de violência e consumo de entorpecentes.
Alerta internacional às vésperas da COP30
O avanço da destruição ambiental na Amazônia tem sido motivo de preocupação global. O relatório da Abin reforça que impedir a expansão da mineração ilegal é peça-chave para a preservação das florestas, tema considerado central na COP30, que será realizada em Belém, em novembro de 2025.
Para especialistas e autoridades, fortalecer fiscalização, ampliar presença do Estado e atacar financeiramente as organizações criminosas são medidas urgentes para evitar que a região perca ainda mais território para o garimpo clandestino.

Leia também:
- Programação de natal de Dionísio Cerqueira terá inicio no dia 29 de novembro
- Como os emojis mudaram nossa comunicação para sempre — e o que isso revela sobre nós
- Arqueólogos descobrem tumba de guerreiro ávaro com rara espada de luxo na Hungria
- A misteriosa tumba com cinco cadeiras de pedra descoberta com segredos antigos da humanidade
- Descoberta em ruínas de antiga cidade romana revela estrutura monumental que pode mudar a história da arquitetura antiga
- A lista dos antigos reis sumérios: por que um documento de 4 mil anos ainda desafia arqueólogos e estudiosos
- Incrível estátua da deusa grega Ártemis é encontrada nos destroços do Titanic nas profundezas geladas do Atlântico


