A comunicação catarinense registrou a morte de Miguel Ângelo Gobbi, ocorrida na tarde de 25 de fevereiro, aos 81 anos, em decorrência de enfarte.
Empresário e comunicador, Gobbi esteve à frente da Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina (Adjori/SC) por aproximadamente 25 anos, período em que consolidou a estrutura institucional da entidade e ampliou sua representatividade no Estado e no país.
Durante este tempo, o Jornal da Fronteira também fez parte desta história de Miguel Ângelo Gobbi, na época, na pessoa do ex-diretor Dionísio Cogo, compartilhando momentos de evolução da imprensa catarinense.
Durante sua gestão, a Adjori/SC promoveu encontros regionais e congressos estaduais voltados à capacitação e ao aperfeiçoamento de profissionais das empresas jornalísticas associadas. As iniciativas buscaram fortalecer a atuação dos jornais do interior, ampliar a troca de experiências e contribuir para o desenvolvimento técnico e administrativo dos veículos de comunicação.
Sob sua presidência, foram lançados projetos considerados estratégicos para o setor. Entre eles, o Cadastro Catarinense de Jornais (CCJ), criado em 2002 por meio de convênio com a Fundação Catarinense de Cultura, com o objetivo de certificar a regularidade de circulação dos periódicos editados no Estado. O cadastro passou a ser utilizado como instrumento de referência para o mercado publicitário, oferecendo parâmetros de avaliação sobre a credibilidade e a regularidade dos veículos.
Também durante sua gestão foi criada a Rede Catarinense de Notícias (RCN), lançada em junho de 2002. O conteúdo produzido pela redação da Adjori/SC passou a ser veiculado por jornais associados de diferentes regiões catarinenses, consolidando-se como um dos principais produtos editoriais da entidade. A RCN mantém circulação impressa e presença em plataforma digital.
Outra iniciativa implementada foi o Prêmio Adjori/SC de Jornalismo, instituído em 1999, com foco na valorização e no aperfeiçoamento da produção jornalística dos associados. A premiação tornou-se um dos concursos do segmento no Estado, com reconhecimento entre profissionais e empresas do setor.
No campo histórico e cultural, a Adjori/SC lançou, em outubro de 2009, o livro Origens da Imprensa nos Municípios Catarinenses. A obra reuniu informações inéditas sobre o surgimento da imprensa em diferentes cidades do Estado, consolidando-se como registro documental da trajetória dos jornais locais. O lançamento ocorreu na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, com participação de autoridades estaduais.
Em 14 de novembro de 2013, foi sancionada a lei que reconheceu a Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina como Entidade de Utilidade Pública Estadual. A medida representou o reconhecimento formal da atuação institucional da entidade em defesa da cultura, da educação, da cidadania e do fortalecimento da imprensa regional.
Miguel Ângelo Gobbi também teve atuação em âmbito nacional. Foi um dos responsáveis pela criação da Adjori Brasil, entidade que reúne associações de jornais do interior de diferentes estados, e exerceu a presidência da organização nacional. A iniciativa buscou integrar esforços e ampliar a representatividade da imprensa regional no cenário brasileiro.
Ao deixar a presidência executiva da Adjori/SC, em 2019, recebeu o título de presidente de honra, em reconhecimento à trajetória de aproximadamente 25 anos à frente da instituição. Ao longo de sua gestão, a entidade foi homenageada em diversas sessões especiais e solenes na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, em ocasiões como aniversários institucionais e marcos comemorativos.
Nascido em 20 de novembro de 1944, no município de Colorado, no Rio Grande do Sul, Miguel Ângelo Gobbi construiu sua trajetória profissional no setor da comunicação, dedicando-se ao associativismo e à organização institucional dos jornais do interior. Deixa esposa, quatro filhos, seis netos e familiares.
Em depoimento por ocasião dos 40 anos da Adjori/SC, destacou que a entidade surgiu a partir de encontros entre proprietários de jornais interessados em discutir desafios comuns e fortalecer laços institucionais. Segundo ele, a atuação conjunta permitiu ampliar conhecimentos, aprimorar processos de gestão e consolidar a representatividade da imprensa regional.
Para o diretor do Jornal da Fronteira, Luiz Veroneze, a trajetória de Miguel Ângelo Gobbi permanece vinculada ao fortalecimento da organização dos jornais do interior catarinense e à consolidação de iniciativas voltadas à qualificação profissional, à preservação histórica e à ampliação da atuação institucional da Adjori/SC.
O empresário e sócio do Jornal Novoeste, de Maravilha, Jairo Miguel da Silva, os jornais e a imprensa de Santa Catarina não seria o que é nos dias de hoje sem o trabalho entusiasta e abdicado de Miguel Ângelo Gobbi.
O filho de Miguel Gobbi, Giovanni Gobbi, pontuou que seu pai foi um apaixonado pela mídia do interior, trabalhando, ao longo de sua vida, na busca pela valorização dos profissionais e da imprensa catarinense, especialmente os jornais.



