Mercado financeiro eleva previsão da inflação para 5,04% em 2026, aponta Banco Central

Mercado financeiro eleva previsão da inflação para 5,04% em 2026, aponta Banco Central

Boletim Focus do Banco Central mostra aumento na projeção da inflação para 2026. Mercado também atualizou expectativas para Selic, PIB e dólar.

O mercado financeiro voltou a elevar a previsão da inflação oficial do país para 2026. A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 4,92% para 5,04%, conforme dados divulgados nesta segunda-feira pelo Banco Central do Brasil por meio do Boletim Focus.

A pesquisa reúne semanalmente projeções de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos do país. Esta foi a décima primeira elevação consecutiva da expectativa para a inflação neste ano.

Segundo o relatório, o avanço das tensões no Oriente Médio e os reflexos sobre os preços dos combustíveis continuam pressionando as projeções inflacionárias. Com a nova estimativa, a previsão do mercado supera o teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.

A meta oficial para a inflação é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Com isso, o limite máximo permitido é de 4,5%.

Em abril, a inflação oficial registrou alta de 0,67%, influenciada principalmente pelo aumento nos preços dos alimentos. O IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,39%, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Para os próximos anos, o mercado financeiro também revisou as estimativas. A projeção da inflação para 2027 passou de 4% para 4,01%. Já para 2028 e 2029, as expectativas são de 3,65% e 3,5%, respectivamente.

O Banco Central utiliza a taxa básica de juros, a Selic, como principal instrumento para controle da inflação. Atualmente, a taxa está fixada em 14,5% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Na reunião mais recente, realizada em abril, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual pela segunda vez consecutiva. Entre junho de 2025 e março deste ano, a taxa permaneceu em 15% ao ano, o maior patamar registrado em quase 20 anos.

Segundo o Banco Central, os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre os preços de combustíveis e alimentos aumentam as dificuldades para redução mais acelerada da inflação.

Na ata da última reunião, o Copom informou que segue monitorando os impactos do cenário internacional e os efeitos de um eventual prolongamento do conflito sobre a economia brasileira.

O próximo encontro do comitê para definição da Selic está previsto para os dias 16 e 17 de junho.

As projeções do mercado para a taxa básica de juros no fim de 2026 permaneceram em 13,25% ao ano. Para 2027 e 2028, a expectativa é de redução para 11,25% e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a previsão também é de Selic em 10%.

O aumento da taxa Selic é utilizado para conter a inflação ao reduzir o consumo e encarecer o crédito. Juros mais altos também incentivam aplicações financeiras e podem limitar o crescimento econômico.

Por outro lado, a redução da taxa básica tende a facilitar o acesso ao crédito, estimular o consumo e favorecer a atividade econômica, embora possa diminuir o controle sobre a inflação.

O Boletim Focus também atualizou as projeções para o crescimento da economia brasileira. A expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 passou de 1,85% para 1,89%.

Para 2027, a previsão de crescimento econômico caiu de 1,77% para 1,7%. Já para 2028 e 2029, o mercado mantém estimativa de expansão de 2% ao ano.

Segundo o IBGE, a economia brasileira cresceu 2,3% em 2025, impulsionada principalmente pelo desempenho da agropecuária e pela expansão dos demais setores econômicos. O resultado representou o quinto ano consecutivo de crescimento do país.

Em relação ao câmbio, o mercado financeiro mantém projeção de dólar a R$ 5,17 no final de 2026. Para o encerramento de 2027, a expectativa é de cotação da moeda norte-americana em R$ 5,26.

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