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Menino de 11 anos encontra fóssil de tartaruga de 48 milhões de anos em terras públicas dos Estados Unidos

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O estado de Wyoming, localizado no oeste dos Estados Unidos, voltou a atrair atenção internacional após a descoberta de um fóssil de tartaruga com aproximadamente 48 milhões de anos.

O achado foi feito por um menino de 11 anos em uma área pública administrada pelo Bureau of Land Management (BLM), órgão federal responsável pela gestão de extensas terras no país. A descoberta ocorreu no sudoeste do estado, em uma região reconhecida pelo significativo registro paleontológico.

O fóssil foi encontrado na Bacia do Rio Green, área amplamente estudada por pesquisadores devido à preservação de espécies do período Eoceno. Atualmente caracterizada por paisagens áridas e terreno acidentado, a região apresentava, há cerca de 48 milhões de anos, um ambiente de clima quente e úmido, com rios, córregos e remanescentes do antigo Lago Gosiute.

Esse cenário favoreceu a formação de depósitos sedimentares capazes de conservar vestígios de organismos como peixes, crocodilianos, mamíferos primitivos e tartarugas.

O menino, identificado como Touren Pope, explorava o local acompanhado dos avós quando observou um objeto incomum entre pedras e fragmentos rochosos. Inicialmente semelhante a uma rocha comum, o material chamou a atenção pela forma e textura diferenciadas.

Após uma inspeção mais detalhada, a família decidiu comunicar o achado ao Bureau of Land Management.

Especialistas em paleontologia do escritório de campo do BLM em Rock Springs foram acionados e realizaram a verificação no local indicado. Confirmada a presença de um fóssil em terras públicas sob gestão federal, a equipe adotou procedimentos técnicos para documentação, estabilização e proteção do espécime, a fim de evitar danos causados pela exposição ao ambiente.

A escavação foi conduzida em coordenação com um paleontólogo autorizado. JP Cavigelli, especialista em coleções do Museu Geológico Tate, vinculado ao Casper College, liderou os trabalhos de recuperação. Em setembro de 2025, a equipe retornou ao ponto da descoberta para realizar a retirada controlada do fóssil, com acompanhamento do jovem e de seus familiares.

O material recuperado revelou uma carapaça de tartaruga praticamente completa. Embora não tenham sido preservados outros ossos além da carapaça, o estado de conservação foi considerado significativo pelos especialistas.

A análise da estrutura do fóssil e da camada sedimentar em que estava inserido — datada de aproximadamente 50 milhões de anos — permitiu a identificação do animal como pertencente à família Trionychidae, grupo conhecido como tartarugas de casco mole.

De acordo com os pesquisadores envolvidos, a descoberta reforça a relevância científica da Bacia do Rio Green, considerada uma das formações fossilíferas mais importantes da América do Norte para o estudo do Eoceno. A preservação detalhada de organismos nesse tipo de ambiente fornece informações sobre a evolução das espécies, mudanças climáticas e características dos ecossistemas antigos.

O Bureau of Land Management destacou que a identificação responsável do achado e o imediato contato com as autoridades foram fundamentais para garantir a integridade do material. Em terras públicas federais dos Estados Unidos, fósseis de valor científico são protegidos por legislação específica, que prevê a coleta apenas por profissionais autorizados, assegurando que os espécimes sejam devidamente estudados e preservados em instituições reconhecidas.

A participação de cidadãos em descobertas dessa natureza é considerada relevante para a pesquisa científica, desde que respeitadas as normas de proteção do patrimônio paleontológico. O caso evidencia o potencial das terras públicas administradas pelo governo norte-americano para contribuir com o avanço do conhecimento sobre a história geológica do planeta.

Após a escavação, o fóssil foi encaminhado para análise detalhada e integração ao acervo científico, onde passará por estudos adicionais. A expectativa é que o exemplar auxilie na ampliação de dados sobre a diversidade de tartarugas no período Eoceno e sobre as condições ambientais que favoreceram sua preservação.

A descoberta em Wyoming reforça o papel estratégico da região na paleontologia mundial e evidencia a importância da conservação de áreas públicas para a pesquisa científica e para a preservação da história natural da Terra.

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