Ouvir ou sentir o maxilar estalar ao abrir a boca, mastigar ou bocejar é uma situação relativamente comum e que costuma gerar preocupação. Em muitos casos, o estalo ocorre de forma isolada e não representa um problema grave. No entanto, quando esse sinal se torna frequente ou passa a vir acompanhado de dor, desconforto ou limitação de movimento, pode indicar alterações no funcionamento da articulação responsável pelos movimentos da mandíbula.
O maxilar está ligado ao crânio por meio da articulação temporomandibular, conhecida como ATM. Essa articulação permite ações básicas do dia a dia, como falar, mastigar e engolir. Qualquer desequilíbrio nessa estrutura pode provocar ruídos, sensação de encaixe irregular ou até dificuldade para abrir e fechar a boca. Quando esses sinais se tornam persistentes, o quadro pode estar relacionado à disfunção temporomandibular, a chamada DTM.
Na maioria das vezes, o estalo isolado não exige tratamento imediato. No entanto, a repetição do sintoma serve como um alerta de que algo pode não estar funcionando corretamente. Em situações mais avançadas, o problema pode evoluir para dor crônica, rigidez muscular, dores de cabeça frequentes e impacto direto na qualidade de vida.
O estalo na mandíbula ocorre, geralmente, por alterações na ATM, estrutura que conecta a mandíbula ao osso temporal do crânio. Dentro dessa articulação existe um disco de cartilagem que atua como um amortecedor, permitindo movimentos suaves e coordenados. Quando esse disco se desloca de sua posição correta, a mandíbula passa a se mover de forma irregular, produzindo o som característico de estalo ou clique.
As causas desse deslocamento costumam ser multifatoriais. Traumas diretos na mandíbula, como pancadas ou acidentes, podem alterar o alinhamento da articulação. Doenças articulares, inflamações ou processos degenerativos também estão entre os fatores associados. Além disso, hábitos cotidianos exercem grande influência no surgimento do problema.
O bruxismo, caracterizado pelo hábito de apertar ou ranger os dentes, especialmente durante o sono, é uma das causas mais frequentes. Esse comportamento gera sobrecarga constante sobre a musculatura e a articulação, favorecendo o surgimento de estalos e dores. Estudos publicados em revistas científicas, como o Journal of Oral Rehabilitation, apontam relação direta entre estresse emocional, ansiedade e aumento dos episódios de bruxismo.
O aspecto emocional, inclusive, merece atenção. Situações de estresse prolongado podem levar à contração involuntária dos músculos da face, fazendo com que a pessoa mantenha a mandíbula tensionada por longos períodos, mesmo sem perceber. Com o tempo, essa tensão contínua contribui para desequilíbrios na ATM.
Alguns comportamentos do dia a dia aumentam significativamente a chance de desenvolver estalos na mandíbula. Mastigar chiclete com frequência excessiva, por exemplo, provoca fadiga muscular e sobrecarga da articulação. A postura também exerce influência: apoiar o queixo na mão por longos períodos ou manter a cabeça projetada para frente pode causar desalinhamento mandibular.
Outros hábitos, como roer unhas, morder objetos ou consumir alimentos muito duros com frequência, também contribuem para o agravamento do problema. Esses comportamentos repetitivos exigem esforço excessivo da mandíbula e podem acelerar o desgaste da articulação.
Embora o estalo isolado nem sempre represente gravidade, alguns sinais indicam a necessidade de procurar um profissional de saúde. Dor persistente na mandíbula, dificuldade para abrir ou fechar a boca, sensação de travamento, limitação de movimento ou inchaço no rosto são sintomas que merecem avaliação especializada. Nesses casos, o diagnóstico precoce ajuda a evitar a progressão da disfunção.
O tratamento depende da gravidade do quadro e das causas envolvidas. Segundo orientações de redes de saúde especializadas, como a CUF, os tratamentos mais comuns incluem o uso de placas oclusais, que ajudam a reduzir a pressão sobre a articulação e a musculatura, especialmente em casos de bruxismo. Sessões de fisioterapia também são frequentemente indicadas, com exercícios específicos para fortalecimento, alongamento e relaxamento dos músculos da face e do pescoço.
Em algumas situações, o uso de medicamentos, como relaxantes musculares ou analgésicos, pode ser recomendado para aliviar dor e inflamação. Há ainda abordagens mais modernas, como aplicações com efeito semelhante ao Botox, que auxiliam na redução da contração muscular excessiva em casos selecionados.
Casos mais graves, nos quais há alterações estruturais importantes na articulação, podem exigir procedimentos cirúrgicos. No entanto, essa é uma alternativa reservada a situações específicas, quando os tratamentos conservadores não apresentam resultados satisfatórios. A avaliação deve ser feita por profissionais especializados em oclusão, área da odontologia dedicada ao diagnóstico e tratamento das disfunções da ATM.
A prevenção desempenha papel fundamental na redução dos estalos e no controle da disfunção mandibular. Reduzir o estresse, evitar alimentos que exijam mastigação intensa, como balas duras, caramelos, gelo ou nozes, e limitar o consumo de chicletes são medidas simples, mas eficazes. Exercícios de relaxamento da mandíbula, como abrir e fechar a boca lentamente mantendo a língua apoiada no céu da boca, podem contribuir para melhorar o alinhamento e aliviar a tensão muscular.
Compreender as causas do estalo no maxilar é essencial para adotar as medidas corretas e evitar complicações. Embora nem sempre represente um problema sério, o sintoma não deve ser ignorado quando se torna frequente ou doloroso. A atenção aos sinais do corpo, aliada a hábitos saudáveis e acompanhamento profissional quando necessário, é o caminho mais seguro para preservar a saúde da mandíbula e evitar impactos maiores no futuro.

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