Com mais de 4 mil anos, árvore nos EUA nasceu antes das Pirâmides e ainda está viva

Com mais de 4 mil anos, árvore nos EUA nasceu antes das Pirâmides e ainda está viva

Entre em nosso grupo de notícias no WhatsApp

Muito antes de as Pirâmides do Egito começarem a tomar forma às margens do Nilo, uma árvore já fincava raízes em um ambiente hostil, enfrentando frio intenso, ventos constantes e solo quase estéril. Trata-se de um pinheiro bristlecone considerado hoje a árvore viva mais antiga do planeta, um verdadeiro testemunho da história natural da Terra.

Batizada de Matusalém, em referência ao personagem bíblico conhecido por sua longevidade, a árvore ultrapassa em muito a idade atribuída à figura religiosa. Quando esse pinheiro começou a crescer, há mais de quatro milênios, grandes civilizações ainda davam seus primeiros passos, e monumentos icônicos da humanidade sequer existiam.

Durante muito tempo, acreditava-se que as sequoias gigantes detinham o título de árvores mais antigas do mundo. Essa percepção começou a mudar em 1953, quando um pesquisador da Universidade do Arizona realizou uma expedição à Floresta Nacional de Inyo, no oeste dos Estados Unidos. Ali, em meio às montanhas e ao clima severo, foram identificados exemplares com idades surpreendentes, incluindo o pinheiro que ficaria conhecido como Matusalém.

Para evitar danos, vandalismo ou exploração turística descontrolada, o Serviço Florestal norte-americano decidiu manter em sigilo a localização exata da árvore por décadas. Apenas em 2021 a identidade do exemplar foi oficialmente revelada ao público, reforçando, ainda assim, medidas rigorosas de proteção ao local.

Com mais de 4 mil anos, árvore nos EUA nasceu antes das Pirâmides e ainda está viva

A determinação da idade dessas árvores é feita por meio de um método científico preciso. Pesquisadores retiram uma pequena amostra cilíndrica do tronco, permitindo a contagem dos anéis de crescimento. Cada anel corresponde a um ano de vida e funciona como um arquivo natural, registrando variações climáticas, períodos de seca, temperaturas extremas e até eventos como erupções vulcânicas ocorridas ao longo dos séculos.

A longevidade extraordinária dos pinheiros bristlecone ainda intriga os cientistas. Uma das hipóteses mais aceitas aponta para o crescimento extremamente lento da espécie, que avança cerca de 2,5 centímetros a cada cem anos. Esse ritmo reduzido resulta em uma madeira muito densa, resistente a insetos, fungos e processos de decomposição.

Além disso, o ambiente onde esses pinheiros vivem contribui decisivamente para sua sobrevivência. O ar seco, o frio constante e o solo rochoso da região dificultam o desenvolvimento de outras plantas, diminuindo a competição por recursos e limitando a presença de organismos que poderiam ameaçar a árvore.

Mais do que uma curiosidade botânica, Matusalém representa um elo vivo com um passado remoto, atravessando eras geológicas e históricas praticamente intocado. Sua existência reforça o valor da preservação ambiental e lembra que, em silêncio, a natureza guarda histórias muito mais antigas do que qualquer civilização humana.

LEIA MAIS: Múmias de guepardos revelam passado perdido da espécie e reacendem planos de reintrodução na Arábia Saudita

Rolar para cima
Copyright © Todos os direitos reservados.