Mapa global mais detalhado já produzido pela Agência Espacial Europeia mostra que Marte possui diversidade de cores e composição geológica muito além do vermelho tradicional.
Durante décadas, Marte foi apresentado ao público como o “planeta vermelho”, uma definição que se consolidou a partir das primeiras observações telescópicas e das imagens enviadas por missões espaciais iniciais. Essa representação, porém, acaba de ser revista por uma nova análise científica conduzida por pesquisadores da Agência Espacial Europeia. Com base em mais de 20 anos de observações contínuas, os cientistas produziram o mapa global mais preciso já elaborado da superfície marciana, revelando que a aparência do planeta é muito mais diversa do que se imaginava.
O trabalho utilizou dados coletados pela sonda Mars Express, em operação desde 2003, equipada com a câmera de alta resolução HRSC. A tecnologia permitiu a criação de um mosaico planetário com resolução média de dois quilômetros por pixel, abrangendo praticamente toda a superfície de Marte. Para alcançar esse nível de fidelidade, cada imagem passou por um processo detalhado de correções radiométricas e geométricas, destinado a compensar fatores como poeira em suspensão, neblina atmosférica, variações na iluminação solar e diferenças nos ângulos das órbitas ao longo dos anos.
Somente após essas correções as cores foram padronizadas, assegurando consistência científica e possibilitando comparações confiáveis entre regiões distintas do planeta. O resultado é um retrato mais fiel de Marte, que substitui a visão de um mundo predominantemente vermelho por um cenário marcado por múltiplas tonalidades distribuídas de forma desigual.

O novo mapa revela áreas com tons de cinza escuro, amarelo, laranja, marrom e até azul claro. Essas variações indicam diferenças reais na composição geológica e química do solo. Regiões acinzentadas estão associadas a antigos fluxos de lava e extensas planícies vulcânicas. Áreas amareladas e levemente esverdeadas apontam para a presença de argilas, minerais que se formam na presença de água e que reforçam evidências de um passado mais úmido no planeta. Já os tons azulados estão relacionados a partículas finas e a processos específicos de intemperismo que atuaram ao longo de bilhões de anos.
De acordo com os cientistas da ESA, o tom avermelhado que tornou Marte famoso resulta principalmente do óxido de ferro presente na poeira que cobre grandes áreas do planeta. Essa poeira, ao se espalhar pela atmosfera e pela superfície, domina a aparência observada à distância, mas não representa de forma isolada a composição real do solo marciano.
Além do impacto visual, o avanço científico está na metodologia adotada. A observação repetida das mesmas regiões em diferentes condições orbitais permitiu reduzir distorções e alcançar um nível de detalhamento inédito. Esse conjunto de dados oferece novas possibilidades para estudos comparativos e para a compreensão mais profunda da história geológica e ambiental de Marte.
O novo retrato redefine a forma como o planeta é apresentado à ciência e ao público. Mais do que um corpo celeste identificado por uma única cor, Marte se mostra como um planeta geologicamente complexo, com registros visuais que ajudam a reconstruir seu passado e indicam caminhos para futuras investigações. A descoberta amplia o entendimento sobre a evolução marciana e reforça a importância das missões de longa duração para revelar aspectos antes ocultos do Sistema Solar.

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