Os manguezais estão entre os ecossistemas mais produtivos e importantes do mundo. Presentes em áreas costeiras tropicais e subtropicais, eles funcionam como uma zona de transição entre o ambiente terrestre e o marinho, sendo influenciados diretamente pelas marés, pela água salgada do oceano e pela água doce de rios e córregos.
Segundo a Convenção de Ramsar, tratado internacional voltado à proteção de áreas úmidas, os manguezais são ambientes raros, ricos em biodiversidade e essenciais para o equilíbrio ambiental. Eles abrigam espécies adaptadas à água salobra, protegem regiões costeiras, ajudam a reduzir os impactos das mudanças climáticas e garantem alimento e renda para milhões de pessoas.
Apesar dessa importância, os manguezais estão entre os ecossistemas mais ameaçados do planeta. De acordo com a Unesco, áreas úmidas desaparecem de três a cinco vezes mais rápido do que outras florestas. A entidade estima que a cobertura global de manguezais tenha sido reduzida à metade da área original nas últimas quatro décadas.
Os manguezais se formam principalmente em estuários, regiões onde rios encontram o mar. Nesses locais, a mistura de água doce e salgada cria um ambiente de grande produtividade biológica. O solo lodoso, as raízes expostas e a variação das marés tornam esse ecossistema diferente de outras florestas.
As árvores típicas dos manguezais chamam atenção pelas raízes aparentes, que se projetam acima do solo úmido e ajudam a sustentar os troncos em áreas instáveis. Essas raízes também servem de abrigo para várias espécies de animais, especialmente peixes, crustáceos e moluscos.

Os manguezais existem em 123 países e territórios, mas ocupam uma área pequena em relação às florestas do planeta. Segundo a Unesco, eles representam menos de 1% das florestas tropicais e menos de 0,4% das superfícies florestais globais.
Entre os países com maior presença de manguezais estão Indonésia, Austrália, Brasil, México, Malásia, Índia, Papua Nova Guiné e Bangladesh. O Brasil tem papel de destaque nesse cenário. De acordo com o Atlas dos Manguezais do Brasil, lançado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade em 2018, o país possui cerca de 14 mil km² de manguezais ao longo do litoral, o que representa aproximadamente 12% do total mundial.
A biodiversidade dos manguezais varia conforme o clima, o solo, a hidrografia, a localização e a ação humana. Ainda assim, alguns grupos de animais são comuns nesse ambiente. Caranguejos, camarões, moluscos, peixes e aves estão entre as espécies mais frequentes. Em algumas regiões, os manguezais também podem abrigar répteis, primatas e até grandes felinos, como onças-pintadas na América do Sul e tigres-de-bengala em Bangladesh.
A importância dos manguezais vai além da preservação da fauna e da flora. Eles são considerados berçários naturais para diversas espécies marinhas. Muitos peixes e crustáceos passam parte da vida nas raízes submersas dos manguezais antes de seguirem para o mar aberto. Espécies de interesse comercial, como tainha, linguado, sardinha e mero, dependem desses ambientes para manter suas populações.
Os manguezais também protegem o litoral contra erosão, ondas fortes e tempestades. Suas raízes ajudam a reduzir a força da água e diminuem os danos causados por eventos climáticos extremos. Segundo a Unesco, uma faixa de 500 metros de mangue pode reduzir a altura das ondas que chegam à costa entre 50% e 99%.

Outro papel importante está relacionado ao clima. Os manguezais armazenam grandes quantidades de carbono no solo, contribuindo para a redução de gases de efeito estufa na atmosfera. Por isso, são considerados fundamentais nas estratégias de combate às mudanças climáticas.
Além da função ambiental, os manguezais têm impacto direto na vida humana. Milhões de pessoas vivem próximas a essas áreas e dependem delas para pesca, coleta de alimentos, extração de produtos naturais, turismo, proteção contra erosão e manutenção da qualidade da água.
Mesmo com tantos benefícios, os manguezais continuam ameaçados. Entre os principais problemas estão o desmatamento, a expansão urbana, a construção de estradas, empreendimentos turísticos, agricultura, criação de animais e produção de camarão em áreas antes ocupadas por mangues.
A União Internacional para a Conservação da Natureza alerta que o mundo perdeu parte significativa de seus manguezais nas últimas décadas. No Brasil, o Atlas dos Manguezais aponta que cerca de 25% das florestas de mangue foram destruídas desde o início do século 20. A situação é mais grave em áreas do Nordeste e do Sudeste, onde a ocupação humana provocou forte fragmentação desses ecossistemas.
A conservação dos manguezais depende de políticas públicas, fiscalização, pesquisa científica e participação da sociedade. Especialistas defendem que a proteção começa pelo conhecimento. Muitas pessoas consomem produtos que dependem dos manguezais, como peixes, camarões e caranguejos, mas desconhecem a importância desse ambiente.
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Apaixonada pela literatura brasileira e internacional, Heloísa Montagner Veroneze é reatora de artigos locais e regionais, com experiência em temas diversos, especialmente sobre livros, arqueologia e curiosidades.
Nota Editorial: Este conteúdo faz parte da cobertura jornalística do Jornal da Fronteira, feito por humano com ajuda de ferramentas de inteligência artificial, sob revisão de editor humano.
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