O pequeno detalhe nas unhas que quase todo mundo já viu, mas poucos sabem explicar
Quase todas as pessoas, em algum momento da vida, já observaram pequenas manchas brancas surgindo nas unhas. Elas aparecem discretas, às vezes isoladas, às vezes em maior número, e costumam despertar curiosidade imediata. A primeira reação costuma ser associar o fenômeno à falta de cálcio, uma explicação que atravessa gerações e ainda é repetida com convicção.
Apesar de muito difundida, essa ideia não corresponde à realidade científica. As manchas brancas nas unhas têm origem, na maioria dos casos, em pequenos traumas que passam despercebidos no dia a dia. São sinais visíveis de algo que aconteceu semanas antes, quando a unha ainda estava se formando na base, sob a pele.
O nome técnico dessa alteração é leuconíquia, termo médico utilizado para descrever áreas esbranquiçadas na lâmina ungueal. Embora geralmente não represente nenhum problema de saúde grave, a presença dessas marcas pode indicar hábitos cotidianos, agressões mecânicas repetidas ou, em situações mais raras, alterações sistêmicas.
Compreender por que elas surgem é entender melhor o funcionamento das unhas, que são estruturas vivas, sensíveis e capazes de revelar muito mais sobre o organismo do que se imagina.
Como a unha é formada e por que isso explica o surgimento das manchas
As unhas são formadas a partir de uma região chamada matriz ungueal, localizada na base, logo abaixo da cutícula. É nessa área que as células se multiplicam, se queratinizam e se organizam para formar a lâmina que cresce continuamente.
Quando ocorre um pequeno impacto nessa região — como bater o dedo, pressionar a unha contra uma superfície ou mesmo manipular excessivamente a cutícula — a formação das células é momentaneamente alterada. Esse desequilíbrio cria pequenas áreas onde a queratina não se organiza da forma habitual, resultando na aparência branca.
Essas manchas não surgem imediatamente após o trauma. Como a unha cresce lentamente, a marca pode aparecer dias ou até semanas depois, à medida que a lâmina vai avançando. Isso explica por que muitas pessoas não conseguem associar a mancha a um evento específico.
Na maioria das vezes, a leuconíquia é pontual, discreta e desaparece naturalmente conforme a unha cresce e é cortada.
O mito da falta de cálcio e a explicação que não se sustenta
A crença de que manchas brancas nas unhas indicam deficiência de cálcio é uma das mais persistentes no imaginário popular. No entanto, não há base científica que sustente essa associação.
O cálcio participa da formação óssea e de diversos processos metabólicos, mas não está diretamente relacionado à formação da lâmina ungueal a ponto de gerar manchas visíveis. Quando há deficiência de cálcio, os sinais aparecem principalmente nos ossos e nos dentes, não nas unhas.
Essa interpretação equivocada se espalhou porque as unhas, assim como os ossos, são estruturas rígidas, o que gerou uma associação intuitiva, porém incorreta.
Pequenos traumas do cotidiano são os principais responsáveis
A causa mais comum das manchas brancas é o microtrauma repetitivo. Ele pode acontecer em situações muito simples, como:
- Roer unhas
- Retirar cutículas de forma agressiva
- Bater a unha em superfícies duras
- Uso excessivo de alicates e instrumentos metálicos
- Pressão constante ao digitar ou manusear objetos
Essas ações, muitas vezes imperceptíveis, interferem na formação das células na matriz ungueal.
Quando as manchas podem indicar algo além de trauma
Embora raras, existem situações em que a leuconíquia pode estar associada a condições clínicas mais amplas. Quando as manchas aparecem em todas as unhas, de forma persistente e acompanhadas de outros sinais, é importante observar.
Doenças hepáticas, alterações renais, infecções fúngicas e até intoxicações por metais pesados podem alterar o aspecto das unhas. Nesses casos, a mancha branca não é isolada, mas parte de um conjunto de alterações visíveis.
Também podem ocorrer alterações em pessoas com deficiência de zinco ou problemas nutricionais mais complexos, embora isso seja menos frequente.
O tempo de crescimento da unha revela a “idade” da mancha
As unhas crescem, em média, cerca de 3 milímetros por mês. Isso significa que uma mancha localizada no meio da unha pode ter sido causada por um trauma ocorrido há dois ou três meses.
Essa característica transforma a unha em uma espécie de “linha do tempo” do que aconteceu com o dedo.
Diferença entre mancha branca e descolamento da unha
É importante diferenciar a leuconíquia do descolamento da unha (onicólise). Enquanto a mancha branca está dentro da lâmina, o descolamento ocorre quando a unha se afasta da pele, criando uma área esbranquiçada por presença de ar.
São situações distintas, com causas e cuidados diferentes.
Cuidados simples que evitam o aparecimento das manchas
Evitar agressões à matriz ungueal é a melhor forma de prevenir a leuconíquia. Alguns cuidados ajudam:
- Não remover excessivamente as cutículas
- Evitar roer unhas
- Usar instrumentos adequados e delicados
- Manter as unhas hidratadas
- Proteger as mãos em atividades de impacto
O que observar antes de se preocupar
Na maioria dos casos, as manchas são inofensivas. É importante observar se:
- Elas surgem de forma isolada
- Desaparecem conforme a unha cresce
- Não vêm acompanhadas de dor ou deformidade
Se esses critérios forem atendidos, não há motivo para preocupação.
Conclusão: um detalhe pequeno que revela muito sobre o corpo
As manchas brancas nas unhas são sinais comuns, geralmente relacionados a pequenos traumas do cotidiano que passam despercebidos. Elas não indicam falta de cálcio, como muitos acreditam, mas refletem alterações momentâneas na formação da unha.
Compreender esse fenômeno ajuda a desfazer mitos antigos e a observar o próprio corpo com mais atenção. As unhas, embora discretas, são estruturas que revelam hábitos, cuidados e até momentos da nossa rotina.
Na maioria das vezes, a leuconíquia não exige tratamento, apenas atenção e prevenção de agressões repetidas. O simples ato de observar as unhas com cuidado pode oferecer pistas importantes sobre o dia a dia e a forma como lidamos com nossas mãos.
Assim, aquilo que parece apenas um detalhe estético se transforma em uma curiosidade reveladora sobre o funcionamento do organismo humano.

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