O magnésio ganhou espaço nas prateleiras das farmácias e na rotina de milhares de brasileiros. Associado à melhora do sono, ao controle da pressão arterial, à redução de cãibras e ao bem-estar geral, o mineral passou a ser visto quase como um aliado indispensável da saúde. No entanto, especialistas alertam que a ideia de que “quanto mais, melhor” não se aplica quando o assunto é suplementação.
Apesar de seus benefícios comprovados, o consumo exagerado de magnésio pode desencadear uma série de efeitos adversos no organismo, alguns deles potencialmente perigosos. Em entrevista ao site BestLife, a médica Leann Poston detalhou cinco sinais importantes que podem indicar que a dose ingerida está além do recomendado e que merecem atenção imediata.
O primeiro indício costuma surgir no sistema digestivo. Alterações intestinais são frequentemente o alerta inicial de que o magnésio está em excesso no corpo. Isso ocorre porque os sais do mineral têm a capacidade de atrair água para o intestino, efeito que explica, inclusive, seu uso tradicional em laxantes. O resultado pode ser diarreia persistente, fezes muito líquidas, cólicas abdominais, sensação de desconforto e episódios de náusea. Muitas pessoas interpretam esses sintomas como algo passageiro, sem associá-los ao suplemento que estão ingerindo diariamente.
Outro sinal que chama atenção é a alteração no funcionamento do sistema nervoso. Níveis elevados de magnésio podem interferir na comunicação entre nervos e músculos, afetando a liberação de neurotransmissores no cérebro. Isso pode provocar sintomas como cansaço extremo, sensação de lentidão, dificuldade de concentração e episódios de confusão mental. Em alguns casos, a pessoa passa a se sentir excessivamente sonolenta ou com raciocínio mais lento, sem perceber que a causa pode estar ligada à suplementação.
A queda exagerada da pressão arterial também está entre os riscos do consumo elevado. O magnésio é frequentemente indicado como aliado no controle da hipertensão, mas quando ingerido em doses acima do necessário pode levar ao efeito contrário do desejado. A hipotensão pode causar tonturas, sensação de fraqueza, visão turva e até desmaios. Para pessoas que já utilizam medicamentos para pressão, o risco é ainda maior, pois o efeito pode ser potencializado.
A dificuldade para urinar é outro sintoma pouco conhecido, mas relevante. O magnésio atua na musculatura lisa do corpo, incluindo a bexiga. Quando seus níveis no sangue estão muito altos, pode haver interferência na contração adequada da bexiga, dificultando o esvaziamento, mesmo quando ela está cheia. Essa condição pode causar desconforto e aumentar o risco de complicações urinárias.
Nos casos mais graves, o excesso pode evoluir para um quadro conhecido como toxicidade por magnésio, considerado uma emergência médica. Segundo a médica, esse cenário costuma ocorrer quando há ingestões muito elevadas, acima de 5.000 mg, geralmente relacionadas ao uso inadequado de laxantes, antiácidos ou suplementos em doses excessivas. Os sintomas podem incluir vômitos intensos, obstrução intestinal, fraqueza muscular acentuada, dificuldade para respirar, comprometimento da função renal e, em situações extremas, parada cardíaca.
É importante destacar que a maior parte desses quadros não acontece com a alimentação, mas sim com a suplementação sem acompanhamento profissional. Alimentos ricos em magnésio, como castanhas, sementes, vegetais verdes escuros e grãos integrais, dificilmente levam ao excesso, pois o organismo consegue regular melhor a absorção nessas situações. O problema surge quando cápsulas e comprimidos são consumidos sem critério, muitas vezes baseados apenas em recomendações da internet ou relatos de terceiros.
A necessidade diária de magnésio varia conforme idade, sexo e condição de saúde, mas, em geral, fica entre 310 mg e 420 mg por dia para adultos. Valores muito acima disso, especialmente por períodos prolongados, podem sobrecarregar o organismo. Pessoas com problemas renais merecem atenção redobrada, já que os rins são responsáveis por eliminar o excesso do mineral. Quando essa função está comprometida, o risco de acúmulo é maior.
Especialistas reforçam que a suplementação só deve ser iniciada após avaliação médica e, se possível, com exames laboratoriais que confirmem a deficiência. O magnésio é fundamental para diversas funções do corpo, incluindo a saúde óssea, muscular, cardíaca e neurológica, mas o equilíbrio é a chave para que ele traga benefícios sem causar prejuízos.
A popularização dos suplementos trouxe a falsa sensação de segurança de que, por se tratar de um mineral natural, não há riscos envolvidos. No entanto, o excesso pode ser tão prejudicial quanto a falta. Reconhecer os sinais do organismo e buscar orientação profissional antes de iniciar ou aumentar a dose é a melhor forma de garantir que o magnésio seja um aliado, e não um problema para a saúde.

LEIA MAIS:Seis bebidas naturais que auxiliam na saúde do fígado e favorecem a desintoxicação do organismo
LEIA MAIS:O que o estresse faz fisicamente no corpo: sinais silenciosos que afetam sua saúde todos os dias



