Heloisa L 25

Longevidade em foco: hábitos simples do dia a dia que podem acrescentar anos à sua vida

Entre em nosso grupo de notícias no WhatsApp

Viver mais e melhor deixou de ser apenas uma questão genética e passou a estar diretamente ligada às escolhas feitas diariamente. A ciência da longevidade tem mostrado, com cada vez mais evidências, que ajustes relativamente simples na rotina podem gerar impactos profundos na saúde física e mental ao longo do tempo. É sobre esse tema que o especialista em longevidade Marcos Apud se dedica, inclusive em livro, ao analisar como o corpo responde às mudanças de hábitos e como isso pode prolongar a vida com mais qualidade.

Segundo Apud, o ponto de partida para quem deseja envelhecer de forma saudável está na revisão dos chamados pilares do bem-estar. Entre eles estão o sono, a alimentação, a prática regular de atividade física, o controle do estresse, a suplementação adequada, a conexão com a natureza e até a chamada higiene eletromagnética, que envolve a redução da exposição excessiva a estímulos artificiais, como telas e dispositivos eletrônicos. Para o especialista, esses fatores atuam de forma integrada e não devem ser tratados isoladamente.

O corpo humano, explica Apud, pode ser entendido como um verdadeiro laboratório pessoal. Ao observar como mudanças na dieta, na exposição à luz solar, nos padrões de sono, nos treinos físicos ou no uso de suplementos afetam o organismo, é possível ajustar comportamentos e alcançar ganhos reais de saúde. Essa abordagem individualizada ajuda a compreender melhor os próprios limites e necessidades biológicas, favorecendo decisões mais conscientes no dia a dia.

Entre as estratégias mais citadas pelo especialista está o jejum, prática que tem ganhado espaço em estudos científicos recentes. De acordo com ele, o jejum pode trazer benefícios físicos, mentais e emocionais, sendo aplicável em diferentes fases da vida, desde que feito com orientação adequada. Seu efeito não se restringe a um único sistema do corpo, alcançando também aspectos cognitivos e emocionais, o que reforça seu potencial dentro de uma estratégia de longevidade.

A saúde do cérebro, aliás, ocupa papel central quando se fala em viver mais anos com autonomia. Apud destaca que uma alimentação com perfil anti-inflamatório é uma das principais aliadas da função cerebral ao longo do envelhecimento. Além disso, práticas como o jejum e o treinamento de força não apenas fortalecem músculos e ossos, como também estão associadas à preservação da massa cerebral, reduzindo perdas comuns com o avanço da idade.

Outro ponto ressaltado é a importância do estímulo cognitivo contínuo. Exercitar a memória visual e auditiva, ampliar o vocabulário e aprender novas palavras ou habilidades são ações simples, mas eficazes, para manter o cérebro ativo. Essas práticas ajudam a retardar ou prevenir sintomas relacionados a doenças neurodegenerativas, como demência, Parkinson e Alzheimer, que tendem a se tornar mais frequentes com o envelhecimento populacional.

Dados citados por instituições acadêmicas reforçam essa preocupação. A Universidade de Melbourne, na Austrália, aponta que doenças que afetam o cérebro e o sistema nervoso já superam, em impacto global, problemas cardiovasculares e diversos tipos de câncer. Diante desse cenário, mudanças de hábitos ao longo da vida surgem como uma das formas mais eficientes de reduzir riscos e preservar a saúde mental.

A atividade física diária é outro elemento considerado indispensável nesse processo. A personal trainer Joyce Gomes-Osman recomenda cerca de 30 minutos de exercícios por dia, destacando que o movimento regular contribui para a expansão pulmonar, melhora da circulação sanguínea e fortalecimento de músculos e ossos. Esses benefícios físicos se refletem diretamente na capacidade funcional ao longo dos anos.

Além do corpo, o exercício também atua positivamente sobre o cérebro. Estudos indicam que a prática regular de atividade física estimula o crescimento cerebral e favorece o equilíbrio das funções mentais. Pesquisas divulgadas pela Alzheimer’s Society apontam que pessoas fisicamente ativas podem ter até 20% menos chances de desenvolver demência em comparação com indivíduos sedentários, evidenciando o impacto do movimento na prevenção de doenças neurológicas.

O neuropsicólogo Aaron Bonner-Jackson complementa essa visão ao explicar que o exercício regular influencia diretamente o hipocampo, região essencial para a memória e o aprendizado. Além disso, a atividade física ajuda a reduzir o estresse e a controlar seus efeitos negativos, que, quando persistentes, estão associados ao envelhecimento precoce e ao aumento do risco de diversas doenças.

No conjunto, a mensagem dos especialistas é clara: longevidade não depende de soluções milagrosas ou mudanças radicais. Pequenos ajustes consistentes, feitos ao longo do tempo, podem representar grandes diferenças na forma como o corpo e a mente envelhecem. Cuidar do sono, da alimentação, do movimento e da saúde emocional é investir não apenas em mais anos de vida, mas em anos vividos com mais autonomia, clareza mental e bem-estar.

Longevidade em foco: hábitos simples do dia a dia que podem acrescentar anos à sua vida

LEIA MAIS:Cinco alimentos antioxidantes que fortalecem a saúde e devem fazer parte da rotina alimentar

LEIA MAIS:Cozinhar em casa faz bem para a saúde mental? O que a ciência revela sobre o poder terapêutico da cozinha

LEIA MAIS:Infusão natural pode ajudar a controlar o apetite e reduzir a vontade por doces

Rolar para cima
Copyright © Todos os direitos reservados.