Se você acha que só os russos gostam de livros gigantescos, é porque ainda não explorou a fundo a literatura brasileira. Sim, nós também temos nossos calhamaços — obras longas que exigem fôlego, mas que entregam experiências literárias inesquecíveis. E o melhor: não são longos por vaidade, são longos porque há muito o que dizer.
1. Grande Sertão: Veredas – João Guimarães Rosa
Com mais de 600 páginas e um vocabulário que parece ter vindo de outro planeta, essa obra-prima é ao mesmo tempo um romance, uma epopeia e uma meditação filosófica. Riobaldo, jagunço-narrador, nos conduz por uma travessia no sertão e na alma humana. É desafiador, sim, mas também hipnótico.
2. O Tempo e o Vento (trilogia) – Erico Verissimo
É um épico sulista. A trilogia — O Continente, O Retrato e O Arquipélago — ultrapassa as 2 mil páginas, narrando mais de dois séculos da história do Rio Grande do Sul por meio da saga da família Terra Cambará. História do Brasil em forma de romance, com personagens que vivem mais do que muitos vivos.
3. Os Sertões – Euclides da Cunha
Metade literatura, metade tratado sociológico, Os Sertões mistura ciência, relato jornalístico e linguagem poética. Com cerca de 600 páginas, analisa o Brasil profundo por meio da Guerra de Canudos. É denso, é técnico em partes, mas é absolutamente revelador.
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4. Viva o Povo Brasileiro – João Ubaldo Ribeiro
Um livro de fôlego: mais de 700 páginas de pura prosa exuberante, contando a história do Brasil pela ótica de seus esquecidos. É divertido, ácido, filosófico e absurdamente bem escrito. Um romance histórico com cara de realismo mágico, com o talento único de João Ubaldo.
5. A Guerra do Fim do Mundo – Mario Vargas Llosa (menção honrosa estrangeira)
Ok, não é brasileiro — mas é sobre o Brasil. E sobre Canudos. E tem mais de 700 páginas de pura genialidade. Vargas Llosa reconstrói o episódio com uma riqueza de detalhes impressionante. Uma aula de narrativa, pesquisa e empatia.
Conclusão
Esses livros são como travessias: podem cansar, mas revelam paisagens literárias que só os grandes textos conseguem oferecer. Para quem busca mais que entretenimento — busca profundidade —, esses calhamaços são ouro em forma de papel.