5 livros essenciais para decolonizar suas leituras

5 livros essenciais para decolonizar suas leituras

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Decolonizar a leitura é um exercício silencioso, porém transformador. Significa questionar quais vozes aprendemos a ouvir, quais histórias foram priorizadas ao longo do tempo e, principalmente, quais foram deixadas de lado. Ao buscar autores e autoras que escrevem a partir de experiências negras, femininas e periféricas, o leitor amplia horizontes e passa a enxergar a sociedade sob ângulos menos óbvios, mais humanos e plurais.

Meridiana, de Eliana Alves Cruz

Em Meridiana, Eliana Alves Cruz constrói uma narrativa coral em que cada membro de uma família negra conta sua própria trajetória. A autora utiliza a primeira pessoa para revelar como a ascensão social é vivida de forma distinta por mãe, pai, filhos e filha. A obra expõe nuances da mobilidade social, das marcas do racismo e das heranças emocionais que atravessam gerações.

Com uma prosa delicada e precisa, o livro convida o leitor a compreender que nenhuma conquista é linear e que cada travessia carrega memórias, dores e aprendizados singulares.

5 livros essenciais para decolonizar suas leituras

Escritos de uma Vida, de Sueli Carneiro

Nesta coletânea, Sueli Carneiro reúne textos essenciais para entender a interseção entre racismo e machismo na experiência da mulher negra. A autora, referência no pensamento feminista negro no Brasil, discute como gênero e raça se entrelaçam produzindo formas específicas de opressão.

A leitura é ao mesmo tempo intelectual e política, oferecendo instrumentos para compreender estruturas sociais que ainda moldam desigualdades no país.

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Recordações do Escrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto

Publicado no início do século XX, o romance de Lima Barreto permanece atual ao narrar a trajetória de um jovem negro que acredita na educação como caminho de ascensão em um Brasil recém-republicano. Ao chegar ao Rio de Janeiro, Isaías se depara com a dura realidade do preconceito racial e do favoritismo social.

A obra é um retrato contundente de como o racismo estrutural já estava presente na formação da sociedade brasileira e como ele afetava sonhos, oportunidades e dignidade.

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Irmã Outsider, de Audre Lorde

Audre Lorde escreve a partir do lugar da diferença. Mulher negra, lésbica e intelectual, ela transforma sua vivência em reflexão crítica sobre racismo, feminismo, amor, silêncio e resistência. Em quinze ensaios, a autora propõe que reconhecer quem somos é um ato político.

O livro é referência para quem deseja compreender o feminismo negro e as alianças necessárias para enfrentar estruturas excludentes.

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Canção para ninar menino grande, de Conceição Evaristo

Nesta obra, Conceição Evaristo mergulha na figura de Fio Jasmim para discutir as complexidades da masculinidade negra e suas consequências nas relações afetivas. A autora trabalha com a poética da escrevivência, conceito que une memória, vivência e literatura.

O livro é um canto delicado e profundo sobre amor, dor, identidade e pertencimento dentro da experiência negra brasileira.

5 livros essenciais para decolonizar suas leituras

Conclusão

Ler esses autores é um convite a sair do lugar confortável das narrativas tradicionais e a mergulhar em perspectivas que revelam camadas profundas da realidade brasileira e global. São livros que transformam, questionam e ampliam o repertório cultural do leitor, oferecendo uma experiência literária que vai além do entretenimento: é formação de consciência.

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